Jungmann cobra Estados por impunidade
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segunda-feira, 03 de fevereiro de 1997
Agência Folha, de Brasília 
Arquivo FolhaDesafioJungmann pede menos violência Ao final de um janeiro quente e nove meses à frente do Ministério Extraordinário de Política Fundiária, Raul Jungmann entrega aos governadores dos Estados o que considera ser hoje o principal desafio da reforma agrária: acabar com a impunidade.
Nem invasores nem milícias é o lema do ministro, que atribui aos Estados parte da culpa pela explosão dos conflitos no início do ano. Caberá aos governadores punir tanto os sem-terra que invadem quanto os fazendeiros que se armam para enfrentar invasões. Nesta semana, o ministro da Justiça, Nelson Jobim, começa a percorrer o País, em nova frente contra a violência no campo. Jungmann disse que pretende cumprir a meta de assentar 180 mil famílias até o final do governo.
A nova tática do MST, de invadir terras improdutivas, particulares ou não, e o superfaturamento das propriedades pelos fazendeiros, como forma de enfrentar a desvalorização desde a implantação do Real, transformaram o confronto dos sem-terra com a União Democrática Ruralista (UDR) no Pontal do Paranapanema em uma guerra sem fim.
Com a invasão da fazenda Santa Terezinha, no dia 13 passado, em Santo Anastácio, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), inaugurou a etapa das invasões das terras improdutivas. Até então, o movimento só vinha invadindo áreas devolutas (pertencentes ao Estado, embora ocupadas por particulares). Isso forçava os fazendeiros a negociar.
O presidente da UDR, Roosevelt dos Santos, diz que a guerra vai durar enquanto o governo não tomar medidas para resolver. Enquanto existir latifúndio, o MST vai estar lutando por reforma agrária, diz Laércio Barbosa, um dos líderes sem-terra no Pontal.
Para o líder do MST José Rainha Jr., as invasões são a única forma de colocar na mesa de negociações governo e fazendeiros. Só nos primeiros oito dias deste ano, sete invasões em três municípios mobilizaram 1.200 famílias. Coincidência ou não, os sete fazendeiros envolvidos estudam ou já estão negociando acordos para desapropriação.


