Brasília, 09 (AE) - O ministro de Política Fundiária, Raul Jungmann, disse hoje que a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) adotou uma estratégia "arriscada e suicida" ao promover ocupações de terras no País. Ele acredita que essas ocupações tenham sido motivadas pela disputa de espaço com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST). Segundo Jungmann, porém, por ter existência jurídica, a confederação poderá ser acionada judicialmente por fazendeiros para o ressarcimento de eventuais danos provocados nas propriedades rurais. "Qualquer juiz ou o Ministério Público pode acionar a Contag por perda e danos e vai ganhar", afirmou.
"A Contag abriu flancos para sofrer ações de perdas por todo esse pesssal e ela vai quebrar, vai à bancarrota", emendou Jungmann. Os dirigentes da confederação não se dizem preocupados. "A luta dos trabalhadores rurais pela terra significa a luta pela vida", disse o diretor do órgão, Sebastião Neves. "Em função disso, me parece válido correr o risco de ser processado". Segundo Neves, a Contag possui assessoria jurídica capacitada e pronta para agir. "Se processados, vamos nos defender, mas a culpa de tudo isso é do governo, que não faz uma desapropriação desde janeiro", afirmou o diretor.
Para o ministro de Política Fundiária, no entanto, a Contag estaria cometendo "um monumental equívoco" porque, diferentemente do MST, ela é uma central sindical reconhecida em lei e que sobrevive a partir de contribuição do produtor rural. "Os dirigentes cometem uma irresponsabilidade contra a própria Contag, porque ela não é como o MST, que não tem existência jurídica e é um movimento social", afirmou Jugmann. Ainda segundo o ministro, a Contag pode estar prejudicando sua imagem diante de seus representados. "Como se sente um agricultor familiar representado por uma entidade que promove ou diz promover invasões em massa no País?", questionou.
Jungmann confirmou que não haverá este ano avaliação de terras ocupadas que não estavam dentro da programação de vistorias do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). "O que a Contag está fazendo é um ato político", afirmou.

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