Jungmann aponta tendência de queda no número de ocupações
Agência Estado
De Brasília
O ministro de Política Fundiária, Raul Jungmann, disse ontem que há uma tendência de queda no número de invasões de terras no País, desde maio, apesar de balanço do próprio ministério apontar crescimento de 13,2% no número total de ocupações de janeiro a setembro deste ano, em relação ao mesmo período de 1998. A soma das invasões neste ano é recorde nos últimos quatro anos.
Segundo o ministro, houve maior desaceleração no segundo semestre. Entre julho e setembro deste ano, foram invadidas 84 fazendas no País, número 25% menor que as 112 invasões ocorridas no mesmo período do ano passado. No mês passado, foram registradas 22 invasões, uma redução de 48,8% em relação a setembro de 98, com 43 invasões. De acordo com levantamento do Ministério de Política Fundiária, foram 403 invasões de fazendas de janeiro a agosto deste ano, contra 356 no mesmo período do ano passado.
O pico das invasões ocorreu entre março e abril, quando a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) mobilizou sindicatos rurais em todo o País para ocupações em série. Em março foram registradas 101 invasões e em abril 66. Para Jungmann, outros fatores contribuíram para elevar o número de invasões nestes meses: o aniversário da morte de 19 trabalhadores rurais sem-terra em Eldorado do Carajás (PA), em abril de 1996, e as comemorações do dia 1º de Maio.
O ministro admitiu pequena desaceleração no ritmo da reforma agrária no primeiro semestre deste ano, em decorrência da implantação da nova política de reforma agrária, o Novo Mundo Rural, mas afirmou que o ministério já está retomando o ritmo acelerado no assentamento de novas famílias. Pelos levantamentos do ministério, foram assentadas este ano 44.661 famílias. A meta é chegar a 85 mil até o final do ano.
Ele ainda divulgou números positivos sobre a reforma agrária desde o início do governo, como a redução em 50% sobre o custo da terra por família. Segundo disse, foram assentadas 332.200 famílias de sem-terra no governo Fernando Henrique e apenas 218 mil entre 1964 e 1994.
O principal líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), João Pedro Stédile, criticou o anúncio de tendência de desaceleração no número de invasões. Ele disse que o ministro não está computando as invasões que estão ocorrendo no interior de Pernambuco e também no Paraná. Stédile também ironizou o número de famílias assentadas. É fácil chegar ao número de 44.661 famílias com o computador.





