Jungmann anuncia liberação de R$ 7 milhões do Procera para o Pontal
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terça-feira, 01 de junho de 1999
Por Luiz Carlos Lopes 
Presidente Prudente, SP, 02 (AE) - O ministro de Política Fundiária, Raul Jungmann, anunciou hoje (02) a liberação de cerca de R$ 7 milhões do Programa de Crédito Especial para a Reforma Agrária (Procera) solicitados pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) e do Movimento dos Agricultores Sem-Terra (Mast) do Pontal do Paranapanema. A liberação, de acordo com o ministro, é parte de um plano de transição para o programa Novo Mundo Rural.
Até o início de julho, segundo Jungman, deve estar implantado o novo programa, com a utilização do Banco da Terra, que vai unir recursos do Procera e do Programa Nacional de Apoio à Agricultura Familiar (Pronaf), para intensificar os projetos de financiamento da reforma agrária.
O ministro não soube dizer o valor total dos recursos a serem liberados na fase de transição, mas informou são parte das verbas represadas do Procera e se destinam a créditos de custeio agrícola e investimentos. Do total R$ 4 milhões serão destinados ao custeio e o restante atenderá reivindicações nas áreas de fomento, habitação e alimentação.
MST - A direção do MST acredita ser este o primeiro passo para a liberação de R$ 22,6 milhões do Procera para cerca de 3.500 famílias assentadas no Pontal do Paranapanema.
Jungmann foi responsabilizado publicamente pelo coordenador estadual do MST, Cledson Mendes, pela violência contra trabalhadores rurais nos estados do Paraná e São Paulo. A posição foi manifestada EM reunião do ministro com cerca de 100 integrantes do MST, na Instituição Toledo de Ensino, à tarde. Vários prefeitos, entre eles Mauro Bragato (PSDB) de Presidente Prudente, estavam presentes.
Mendes, que ontem (01) comandou o bloqueio de uma ponte na divisa de São Paulo e Paraná, em protesto contra a violência que estaria acontecendo nos dois estados, lembrou que há mais de dois anos os sem-terra do Paraná esperam por assentamentos. "Se não são assentados e sofrem violência, a culpa é do ministro", afirmou.
O dirigente criticou também o governador paranaense Jaime Lerner pela susposta intensificação da violência contra os trabalhadores rurais, que segundo ele, teriam sido despejados e presos em operações ilegais feitas pela Polícia Militar. " Segundo ele "é uma vergonha que isto ocorra no Brasil às vesperas do ano 2000".
Protesto - Pela manhã, ao visitar o assentamento Rodeio, em Presidente Bernardes, Jungmann foi surpreendido por um protesto organizada por assentados da região, que também o culparam pelas prisões de sem-terra nos dois Estados. Jungmann só foi recebido com aplausos pelos integrantes do Movimento dos Agricultores Sem-Terra (MAST), em reunião realizada na sede da OAB, onde ele falou do program Novo Mundo Rural.
Calúnia- O ministro reagiu às críticas. "Esta é uma calúnia que não aceito", disse, e pediu aos dirigentes dos sem-terra "respeito, porque também dou respeito". Ele lembrou que vai ao Paraná para discutir a questão da violência. Ele também confirmou a presença do ouvidor agrário nacional Gercino José da Silva Filho, no Paraná. A presença do ouvidor foi pedida pelo governador Jaime Lerner.
As críticas do líder do MST também foram rebatidas pelo secretário da Justiça de São Paulo, Belisário dos Santos Junior, que lembrou a atuação de Jungmann em favor da reforma agrária. "Não podemos responsabilizar um companheiro que é uma força viva em favor da reforma agrária, no governo federal", disse.
Depois da reunião, o ministro ressaltou como ponto positivo as declarações de Felinto Procópio, dirigente do MST, que chegou a anunciar disposição de discutir "profundamente"o programa Novo Mundo Rural e a criação do Banco da Terra o que mudaria a posição mantida até agora pela direção nacional daquele movimento. Procópio porém negou que haja no MST disposição para discutir com os orgãos do governo as mudanças previstas para a política de reforma agrária."Realmente queremos discutir os programas Novo Mundo Rural e Banco da Terra
mas em audiência pública com o Presidente da República, conforme posição já anunciada por João Pedro Stedille, dirigente nacional do MST", disse.


