Jungmann admite concessões ao MST
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quinta-feira, 21 de setembro de 2000
Agência Folha De Brasília 
O ministro do Desenvolvimento Agrário, Raul Jungmann, admitiu ontem fazer algumas concessões aos sem-terra. Entre os pontos que Jungmann admite negociar com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), estão a redução nos juros dos financiamentos e renegociação de dívidas não pagas devido a problemas na safra, como seca ou geada.
As declarações de Jungmann foram dadas ontem após reunião com a CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil).
No encontro, foi agendada uma reunião entre representantes do governo e do MST para a próxima terça-feira para debater as reivindicações dos sem-terra. A reunião será na sede da CNBB.
Jungmann informou que mandará o segundo escalão do governo conversar com o movimento. Ele exigiu a presença dos chefes do MST José Ra© inha Júnior e João Pedro Stedile para participar da mesa de negociações. Essa posição, disse Jungmann, é doravante, uma regra.
O ministro disse que chefiarão a delegação de negociação oficial o presidente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Orlando Muniz, e o secretário de Agricultura Familiar do órgão, Nelson Borges.
Os representantes do governo, segundo o ministro, terão autonomia, poder de decisão e informação. A equipe do governo já está fazendo reuniões para se preparar para a reunião.
Jungmann declarou que a redução nos juros de 4% cobrados na linha C do Pronaf (programa de financiamento para agricultores familiares) pode ser negociada com o MST. Ele não quis adiantar se o governo apresentará alguma proposta porque essa informação faria parte da estratégia de negociação.
O governo rejeita a proposta do MST, que quer empréstimo de R$ 2.000,00 para 110 mil famílias dentro dos critérios da linha A do Pronaf, que oferece juros de 1,15%. Jungmann afirma que esse grupo de assentados já teria recebido empréstimo de R$ 9.500.
Gilberto Portes, da direção nacional do MST, argumenta que o número de famílias que necessitam de crédito foi levantado pelos próprios técnicos do Incra em reuniões com o movimento. Nem todas as famílias, segundo ele, receberam dinheiro oficial.
Os cerca de 100 sem-terra acampados na frente da Fazenda Córrego da Ponte, de propriedade dos filhos do presidente Fernando Henrique Cardoso, estão a caminho de Buritis, onde outros 350 trabalhadores estão alojados numa quadra coberta da prefeitura e em casas de parentes. A saída dos sem-terra da fazenda começou anteontem à noite. Parte das tropas do Exército que ocupavam a fazenda já deixou o local, mas a propriedade continua vigiada.


