Jungmann acusa MST de chantagista
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quarta-feira, 22 de janeiro de 1997
Daniela Pinheiro Agência Folha, de Brasília 
Agência EstadoCartas na mesaO ministro Raul Jungmann com o presidente Fernando Henrique: sensação de impunidade O ministro Raul Jungmann (Política Fundiária) disse ontem que o MST (Movimento dos Trabalhadores Sem Terra) está chantageando o governo para fazer extorsão. No momento que, por uma determinação política e porque você quer extorquir dinheiro do governo federal, você faz invasões, isso é chantagem, afirmou.
Segundo ele, o MST estaria interessado em obter um financiamento - calculado ontem em R$ 4 milhões - para a construção de uma fecularia (fábrica de féculas) no interior de São Paulo. Como a liberação das verbas não foi imediata, os sem-terra decidiram ocupar o prédio do Incra ontem pela manhã para pressionar o governo.
Jungmann se encontrou na manhã de ontem com o presidente Fernando Henrique Cardoso. De acordo com o ministro, FHC condenou a invasão. O presidente entende que os limites estão sendo ultrapassados, disse. Jungmann afirmou que serão tomadas medidas judiciais contra a coordenação do MST. O governo pretende pedir abertura de inquérito, não só agora, mas doravante, contra qualquer invasor de sede do Incra. E também contra aqueles que, desrespeitando os direitos humanos, venha a manter funcionários em cárcere privado, disse.
Na avaliação do ministro, não há justificativa para conflitos no Estado. necessários para pagar indenizações de benfeitorias nas fazendas desapropriadas. Foram para 29 áreas negociadas. O processo lá segue de forma tranquila e séria, observou. Segundo ele, desde o início do ano passado mais de 2.000 famílias foram assentadas no Pontal do Paranapanema (Oeste do Estado de São Paulo).
MST está blefando
quando diz que tem
força no Sul do Pará,
ironizou o ministro
ImpunidadeJungmann atacou ainda o suposto imobilismo do Judiciário e do Ministério da Justiça. Essa história de invadiu, arrancou cerca, matou, executou... Por favor, isso é segurança, isso é Justiça. Vamos assumir cada um nossas responsabilidades. Eu estou assumindo a minha, afirmou.
Ele se mostrou indignado com a ação da Justiça e da polícia. É fundamental que, toda a vez que o sujeito fala no jornal vou invadir tal lugar, alguém chame essa pessoa e tome satisfação da invasão. Porque isso representa quebra de uma norma constitucional, afirmou.
Para o ministro, cabe à segurança, ao Ministério Público, ao Judiciário tomar atitude sobre isso. Em sua opinião, essa sensação de impunidade tem um reflexo negativo na sociedade. E enfatizou: O sujeito transgrediu a lei ou manifestou intenção de transgredir, tem que ser chamado, tem que abrir inquérito.
Sobre a intenção do MST de acelerar invasões no Sul do Pará, Jungmann foi irônico. O MST não tem força no Sul do Pará. Está blefando. Diz coisas que não pode fazer. Usa táticas de marketing para causar intranquilidade, disse.


