O governo deverá criar, até o final do ano, o Ministério de Desenvolvimento Rural e Agrário e transformar o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em uma agência executiva. O objetivo é unir as ações dos Ministérios da Agricultura e de Política Fundiária para este setor. Os estudos resultarão na criação do Conselho Nacional de Desenvolvimento Agrário e Rural, o embrião do novo ministério. O presidente do Incra, Milton Seligman está em férias e em fevereiro vai para a secretaria-executiva do Conselho da Comunidade Solidária.
O ministro de Política Fundiária, Raul Jungmann, vai acumular os dois cargos. Ele não quer falar no assunto até que o presidente Fernando Henrique Cardoso anuncie oficialmente o Projeto de Desenvolvimento Rural - como vem sendo chamado pelos assessores do governo -, nos próximos dois meses.
A proposta do governo é fundir as políticas agrícola e fundiária, concentrando as diversas fontes de recursos em uma só, que atenderia os pequenos agricultores. Atualmente o ministério da Agricultura cuida do Programa Nacional de Agricultura Familiar (Pronaf), destinado aos antigos assentados do Incra que foram transformados em produtores. O Incra gerencia o Programa de Crédito Especial para a Reforma Agrária (Procera), primeira fonte de recursos dos futuros agricultores. Com a fusão, os créditos fundiários e agrários ficariam ligados ao Banco da Terra, um fundo de financiamento para a aquisição de terras.
Com isso, a política rural será desenvolvida por um conselho nacional de desenvolvimento rural e agrário, uma espécie de câmara setorial como as que funcionam atualmente no Palácio do Planalto. O Incra seria a agência executiva mantendo algumas atribuições, como a desapropriação de terras. Será um orgão ligado ao novo ministério, mas terá como tercerizar algumas ações como a vistoria e a contratação de pessoal. De acordo com um assessor de Jungmann o Incra teria mais autonomia administrativa, mas menor poder político.

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