Júlio Iglesias leva 50 mil pessoas a show em homenagem às mulheres
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sábado, 06 de março de 1999
Por Gabriela Gemignani (especial para a AE) 
São Paulo, 07 (AE) - Cerca de 50 mil pessoas aproveitaram o domingo de sol para assistir à apresentação do cantor espanhol Julio Iglesias, feita em homenagem ao Dia Internacional da Mulher, no Parque do Ibirapuera, zona sul de São Paulo, segundo a Guarda Civil Metropolitana (GCM). Segundo a PM, o público foi de 60 mil. A organização do evento, porém, calculou que 100 mil pessoas presentes.
O recorde de público registrado em shows no parque foi de 120 mil, quando cantaram as duplas Chitãozinho & Xororó e Sandy & Júnior e o cantor Alexandre Pires, em dezembro.
Mas os fãs do cantor não estavam preocupados com números. A empregada doméstica Cecília Maestremo, de 54 anos, pulou os portões, que ainda estavam fechados, para entrar no parque às 5h45. "Valeu a pena, o show foi maravilhoso."
Em quase duas horas, foram apresentadas músicas como Crazy, El Dia que me Quieras, Bamboleo, Unforgettable, Aquarela do Brasil e a esperada Amigo - gravada com a dupla Zezé di Camargo e Luciano. Durante o show, o cantor fez elogios ao povo brasileiro, que, segundo ele, é o mais bonito do mundo. Iglesias brincou, dizendo que vai se candidatar à Presidência da República.
A abertura foi feita pelo grupo de dança e percussão Meninos do Morumbi, um projeto patrocinado pelo Grupo Pão de Açúcar, que tirou 500 crianças das ruas.
Fãs de todas as idades acompanharam o espetáculo. Nem o forte calor impediu Ionise Miranda, de 56 anos, de levar a mãe Aida Miranda, de 91, para realizar o grande sonho de conhecer pessoalmente o cantor. Aida teve a sorte que muitas fãs esperavam. Antes do show conseguiu conversar com Iglesias e ganhou um autógrafo. "Ele até passou a mão no meu rosto."
Para ela, o melhor momento da apresentação foi a música Cumparsita. Moradores de outras cidades vieram para São Paulo só para assistir ao show. Foi o caso de Iara Lúcia, que veio de Araçatuba, a 532 quilômetros da capital.
Em homenagem ao cantor, ela escreveu numa faixa: "Julinho, nós te amamos". "As músicas dele marcaram a minha vida." Para a ex-enfermeira aposentada Nilda Machado, de 63 anos, chegar ao parque sozinha, às 7 horas, não foi sacrifício. "Há muitos ele é meu ídolo."
No fim do show, várias pessoas espremiam-se na saída do palco, onde o carro que levaria o cantor estava estacionado, para ver o ídolo mais uma vez. A doméstica Maria Elizabete Ferreira, de 54 anos, não poupou esforços para conseguir um bom lugar. Subiu na estrutura feita para isolamento do local. "Para mim, vale tudo; se pudesse, subia na árvore."
Em frente do palco, foi reservada uma área com 350 cadeiras para os convidados. Nesse espaço, uma pequena parte atrás das cadeiras foi destinada aos deficientes físicos.
Para a voluntária da Associação de Assistência à Criança Defeituosa (AACD) Ana Cristina Krigel, isso foi uma falta de consideração com os deficientes que não podem se levantar. "Quando tocam músicas animadas e todos ficam de pé e eles não enxergam nada." Segundo organizadores do evento, o problema será resolvido a partir do próximo evento.
No posto médico, montado pela Secretaria Municipal da Saúde, foram atendidas 45 pessoas. A maioria passou mal por causa do calor e o procedimento tomado foi a hidratação dos pacientes. Apenas uma pessoa foi removida para o Instituto do Coração (Incor) do Hospital das Clínicas (HC) , por estar em tratamento. Nenhum dos socorridos ficou em estado grave.
Em comemoração ao Dia Internacional da Mulher, a cantora Zélia Duncan apresentou-se na unidade de Interlagos do Serviço Social do Comércio (Interlagos), na zona sul, também na manhã de hoje, para um público menor, mas muito entusiasmado.
Entre outras músicas, cantou Quase sem Querer, Verbos Sujeitos e Código de Acesso, faixa de abertura do novo CD, Acesso. A vocalista da banda Pato Fu, Fernanda Takai, que assistia ao show, improvisou uma participação especial, fazendo dueto com Zélia na apresentação da música Depois do Perigo.


