Julgamento marca a volta do advogado Evandro Lins e Silva, de 88 anos
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sexta-feira, 31 de março de 2000
Por Murilo Fiuza de Melo 
Rio, 1 (AE) - José Rainha Júnior parece estar tranquilo para o julgamento de segunda-feira ou pelo menos faz esforços para isso. Embora não admita, boa parcela de sua calma pode ser creditada à banca de advogados que o defende.
Rainha contará com a oratória e a experiência de Evandro Lins e Silva, de 88 anos, considerado o decano dos advogados criminalistas do País. Terá, além do criminalista, os advogados Luiz Eduardo Greenhalgh e Aton Fon Filho.
Fundador do velho Partido Socialista Brasileiro, em 1947
membro da Academia Brasileira de Letras, ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal, defensor de centenas de presos políticos perseguidos pelo Estado Novo de Getúlio Vargas, Lins e Silva volta ao tribunal do júri depois de 20 anos. O último julgamento de que Lins e Silva participou foi na defesa de Doca Street, acusado de ter matado a socialite mineira Angela Diniz, em 1979.
"Aquele foi um crime passional, bem diferente do caso de Rainha, que é eminentemente político", compara o jurista, que só aceitou a causa depois da insistência do escritor português e prêmio Nobel José Saramago e de sua mulher, Pilar.
Alegações - "Juridicamente, não há nenhuma prova material contra ele, que tem a seu favor o princípio da ubiquidade, ou seja, uma pessoa não pode estar em dois lugares ao mesmo tempo." A defesa do líder sem-terra levará cinco testemunhas que garantem ter estado com Rainha na época do crime
em 5 de junho de 1989.
Já os advogados de acusação esperam a presença do motorista José Jorge Guimarães, o Zé do Coco, que, em depoimento em cartório, no dia 5 de agosto de 1997, garantiu ter transportado o dirigente do MST para a fazenda onde ocorreu o conflito que resultou na morte do fazendeiro José Machado Neto e do policial militar Sérgio Narciso.
Em seu primeiro depoimento à Justiça, o motorista descrevia Rainha como um homem "gordo, sem barba e sem bigode". "Acontece que naquela época, o Zé do Coco foi obrigado a mentir, porque estava sendo ameaçado de morte pelo MST", afirmou o advogado Marco Antônio Gomes, auxiliar da acusação. "Agora, espero que ele apareça, apesar de ainda ser ameaçado por esses sem-terra."


