Julgamento foi uma farsa, diz líder do MST
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quarta-feira, 18 de agosto de 1999
Por Carlos Mendes, especial para a AE 
Belém, 19 (AE) - O coordenador do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) no Pará, Raimundo Nonato Coelho de Souza, afirmou hoje que a absolvição dos acusados de comandar o massacre de Eldorado dos Carajás foi uma "tremenda farsa". Segundo ele, os militantes do movimento ficaram decepcionados com o resultado. Porém, revelou que a ocupação de fazendas e a luta pela desapropriação de áreas já ocupadas no sul do Estado, ao invés de esmorecer, será intensificada. "Vamos lutar para que o Tribunal de Justiça anule esse julgamento vergonhoso". Os advogados do MST Carlos Amaral e Suzana Paim anteciparam, sem entrar em detalhes, que os assistentes de acusação que estão atuando no julgamento ao lado do promotor Marco Aurélio Nascimento irão "sair do caso".
O coordenador nacional do MST, João Pedro Stédille, que participou de uma reunião com dirigentes regionais do movimento, advogados, representantes da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e partidos políticos para definir a estratégia para tentar derrubar a absolvição dos três oficiais da Polícia Militar, foi taxativo: "vamos promover manifestações em todas as capitais do País para pressionar o Tribunal de Justiça a anular o julgamento".
Stédile disse que militantes do MST irão fazer uma votação popular para saber se o povo "inocenta ou condena os responsáveis pelo massacre". Para ele, o resultado do julgamento "feriu a dignidade da sociedade brasileira e representou uma vergonha para a nossa democracia". Carlos Amaral e Suzana Paim criticaram a conduta do juiz Ronaldo Valle durante a apresentação dos quesitos aos sete jurados, afirmando que os três oficiais, que já haviam sido condenados num quesito anterior, acabaram livrando-se da cadeia por "insuficiência de provas" no quesito seguinte. Juiz - O juiz Valle explicou que agiu dentro do que estabelece o Código de Processo Penal na formulação dos quesitos submetidos à votação dos jurados. "Se eu não agisse dentro da lei, aí sim poderia provocar a anulação do julgamento". A acusação sustenta que o terceiro quesito vai contra o sexto. No terceiro quesito, a maioria dos sete jurados entendeu que os réus eram culpados pelas lesões, mas no sexto consideraram, também por maioria, que as provas nos autos eram insuficientes para condená-los. "A acusação ganhou, mas não levou; a defesa perdeu, mas levou", disse o promotor Marco Aurélio Nascimento.


