Julgamento do caso Evandro termina hoje
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sexta-feira, 23 de abril de 2004
Luciana Pombo<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Termina hoje o julgamento de três dos sete acusados de terem matado o menino Evandro Ramos Caetano, de seis anos, num suposto ritual de magia negra, no dia 7 de abril de 1992, em Guaratuba, no litoral paranaense. Estão sendo julgados desde segunda-feira os pais-de-santo Osvaldo Marcineiro (único réu preso) e Vicente de Paula Ferreira e o ajudante de terreiro Davi dos Santos Soares. Os últimos depoimentos ontem foram os de Celina e Beatriz Abagge, mulher e filha do então prefeito Aldo Abagge e que foram apontadas pelo Ministério Público (MP) estadual como as mandantes do crime. As duas, que chegaram a ser absolvidas no julgamento mais longo do País, que durou 34 dias, reafirmaram ontem que confessaram o crime depois de terem sido ''barbaramente'' torturadas.
Celina foi a última a depor ontem. Ela negou que tenha frequentado o terreiro de Marcineiro. Disse que não tinha qualquer relacionamento com eles e que jamais pediu para que fizesse qualquer tipo de trabalho espiritual para ela ou para alguém de sua família. Entretanto, ela admitiu que a filha era frequentadora do terreiro de umbanda. ''Ela era muito mística e espiritualista. Frequentava o terreiro contra a minha vontade'', afirmou ela. No dia do sequestro do menino, dia 6 de abril, Beatriz estaria com os pais-de-santo. ''Ela foi no terreiro deles aquele dia. Ela ia fazer orações. Acho que ia. Estou confusa com datas'', rememorou.
Beatriz havia adotado um casal de gêmeos e estava abrindo um abrigo para crianças pouco antes da prisão. Ela contou que conheceu os réus três meses antes do desaparecimento de Evandro. Reconheceu que frequentava o terreiro e admitiu ter visto rituais de sacrifício de animais. Numa oportunidade, ela chegou a encomendar um trabalho, sem pagar nada, na serraria do pai. Marcineiro e os outros acusados teriam levado pipoca e velas para o trabalho, que afastaria problemas financeiros no local. ''Eu acredito naquilo e foi feito o trabalho. Ele acendeu a vela, dançou e jogou pipoca em toda a serraria para melhorar a situação financeira lá'', contou ela.
Tanto Beatriz quanto Celina acusaram o tio de Evandro, Diógenes Caetano, como o mentor da acusação contra elas. Diógenes, que depôs anteontem, foi uma das principais testemunhas do MP. Ele disse que todas as evidências apontam que Celina e Beatriz foram as mandantes do suposto ritual que teria matado o menino. O julgamento de Beatriz e Celina Abagge foi anulado pela Justiça por solicitação do MP, que alegou que os jurados erraram ao dizer que não podiam condená-las porque não havia provas de que o corpo encontrado era mesmo de Evandro. Um laudo de DNA comprovou a identidade do garoto.
Ontem, o médico legista Francisco Moraes e Silva, ex-diretor do Instituto Médico-Legal (IML) afastado por supostas irregularidades administrativas, disse que o laudo foi mal redigido. No entanto, a conclusão era incontestável. ''Não existia como o material ser trocado no meio do caminho. O laudo foi mal redigido, mas isso não invalida o resultado, que era absolutamente correto'', afirmou, provocado pelo MP.


