Curitiba - O julgamento de Valentina de Andrade, acusada de mutilar e matar nove meninos em Altamira (777 quilômetros de Belém, no Pará) entre 1989 e 1993, que deveria começar ontem, foi adiado e remarcado para a próxima segunda-feira. Ela destituiu os defensores do caso e contratou Cláudio Dalledone Júnior, advogado que atua em Curitiba. Dalledone, que está em Altamira desde o fim-de-semana, pediu prazo para analisar o processo e solicitou perícia das fitas de vídeo que o Ministério Público usaria para acusá-la.
Valentina é identificada como líder de uma suposta seita de magia negra, a Lineamento Universal Superior (LUS). As fitas de vídeo mostrariam como funciona a suposta seita. Elas foram apreendidas pela Polícia Federal na semana passada na casa de um médium. Dalledone disse que o conteúdo das fitas está em suspeição. ''Não há nenhuma prova da autenticidade do material'', afirmou.
Dalledone disse que deve apresentar hoje pedido de prisão domiciliar para Valentina. Ela está detida desde o dia 4 de setembro, quando tentou sair do Brasil. Na sexta-feira, o juiz Ronaldo Valle mandou transferir a acusada do Centro de Recuperação Feminino para a Penitenciária de Marituba, em Belém. Ele temia que Valentina fosse dopada ou provocasse alguma agressão de outras presas para não comparecer ao julgamento. ''Somos contra essa prisão. Ela está debilitada'', alegou o advogado.
A Secretaria Nacional dos Direitos Humanos determinou que a Polícia Federal passe a investigar se integrantes da LUS têm relação com casos de crianças desaparecidas. As investigações também seriam realizadas no Paraná. Integrantes do grupo teriam participação na morte do menino Evandro Ramos Caetano, morto aos 7 anos em abril de 1992, em Guaratuba, litoral do Estado. A LUS também é suspeita de ter sido responsável pelo desaparecimento de Leandro Bossi (aos 7 anos) em fevereiro de 1992, em Curitiba, e do menino Leonardo de Mello e Silva (três anos e oito meses), desaparecido em outubro de 2001, em Umuarama.
Dalledone afirmou que a LUS não é seita. ''A LUS é uma entidade civil argentina, semelhante a uma ong brasileira, que estuda ufologia. Valentina não é líder de seita nenhuma. Ela é escritora'', relatou. Segundo o advogado, ''não existe nenhuma prova'' de que Valentina teria participação em ritual de magia negra ou de mutilação de crianças. ''Isso é uma falácia construída pelos acusadores'', acrescentou.
Quatro dos envolvidos em casos de mutilação de crianças foram condenados: o ex-policial militar Carlos Alberto dos Santos, o comerciante Amailton Madeira Gomes e os médicos Anísio Ferreira de Souza e Césio Flávio Caldas Brandão. As penas foram de 35, 57, 77 e 56 anos, respectivamente. ''A acusação não conseguiu provar o envolvimento de Valentina com esses condenados'', disse Dalledone, contratado por meio de familiares da ré. (Com Agência Folha)

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