Julgamento de Rainha pode ser adiado
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sexta-feira, 10 de dezembro de 1999
Por Murilo Fiuza de Melo 
Vitória, 10 (AE) - O julgamento do líder do Movimento dos Trbalhadores Rurais Sem-Terra (MST), José Rainha Júnior, marcado para a próxima segunda-feira (13), no Fórum de Vitória, pode ser adiado. Hoje, o deputado estadual Eudoro Santana (PSB-CE) disse que até agora só ele e o coronel da Polícia Militar Sebastião Jorge Leandro, testemunhas de defesa de Rainha
receberam a carta precatória do juiz da 1ª Vara Criminal de Vitória, Ronaldo Gonçalves de Sousa, convocando para o julgamento. Segundo o parlamentar, as outras três testemunhas, os advogados e o próprio réu não teriam recebido o documento. "Na semana passada, o Aton Fon Filho esteve em Fortaleza dizendo que não haveria o júri porque o juiz não havia enviado as notificações", afirmou Santana. "Hoje, o Luiz Eduardo Greenhalgh me ligou confirmando que só duas testemunhas receberam de fato a carta precatória e que, por isso, o julgamento seria adiado". O juiz Ronaldo Sousa, porém, garantiu que todos os envolvidos no júri de segunda-feira foram "devidamente notificados". "Não há nenhuma hipótese de o júri não ser realizado", garantiu. Greenhalgh e Fon Filho não foram localizados hoje pela Agência Estado. Até o começo da noite, a secretaria nacional do MST desconhecia a informação sobre o adiamento. Crime - Rainha foi julgado em 1997 em Pedro Canário (norte do Estado), onde foi condenado a 26 anos e seis meses de prisão por co-autoria na morte do fazendeiro José Machado Neto e do PM Sérgio Narciso da Silva. O crime ocorreu durante invasão da Fazenda Ypuera, de propriedade de Machado, em junho de 1989. Em função de a pena ter sido superior a 20 anos, o líder sem-terra teve direito a novo julgamento. Segurança - Na semana passada, relatório reservado da Polícia Militar do Espírito Santo apontou riscos para a segurança pública no local escolhido para o júri e pediu sua transferência para o Tribunal de Justiça do Espírito Santo, mas o presidente do órgão, Wellington Citty, negou o pedido. O Fórum de Vitória fica na Cidade Alta, no centro antigo da capital capixaba - uma região comercial, com ruas estreitas e próximo a um hospital, ao Palácio Anchieta, sede do governo estadual, e à Assembléia Legislativa. Já o tribunal fica em área aberta, na Praia do Suá, distante do centro, onde, segundo a PM, haveria espaço para o acampamento dos sem-terra.
"Realmente, o Fórum de Vitória oferece muito risco, mas o Judiciário é independente e se assim ele decidiu, temos que obedecer", lamentou o chefe do Comando de Polícia Ostensiva da PM na capital, coronel Michel Pedrosa Bassul. Ele não quis revelar o número de policiais que vão fazer a segurança, mas disse que todos os quatro batalhões de Vitória, inclusive o de Choque "estão de prontidão".


