Rio, 1 (AE) - A coordenação nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST) estima que cerca de 5 mil pessoas ligadas ao grupo deverão acompanhar o julgamento do líder José Rainha Júnior, de 39 anos, na segunda-feira (3), a partir das 8 horas, no Tribunal do Júri do Fórum Muniz Freire, em Vitória. Serão 100 ônibus vindos de Minas Gerais, São Paulo, Rio, Bahia, Sergipe, Ceará e do interior do Espírito Santo. A previsão é a de que o júri dure dois dias.
Segundo o coronel Edmílson Moreira Bastos, responsável pelo Comando de Policiamento Ostensivo da capital capixaba, cerca de 300 policiais farão a segurança no fórum, onde funciona um hospital e está situado o Palácio Anchieta, sede do governo estadual.
"Se for necessário, poderemos chamar reforço, porque todos os quatro batalhões da Polícia Militar na Grande Vitória, além do Choque, estarão de prontidão para coibir qualquer tumulto", disse. O juiz Ronaldo Gonçalves de Souza, que presidirá o júri, já autorizou o MST a montar um telão na praça da Catedral de Vitória, a 200 metros do fórum. "Foi um pedido dos advogados do Rainha", disse o juiz, que afirmou estar tranquilo. "Encaro esse julgamento como outro qualquer."
Rainha responderá, pela segunda vez, pelo crime de co-autoria no assassinato do fazendeiro José Machado Neto e do policial militar Sérgio Narciso, ocorrido em 5 de junho de 1989, durante conflito entre sem-terra e seguranças do fazendeiro.
Mudança - O crime ocorreu na fazenda de Machado, a Ypuera, em Pedro Canário, a 270 quilômetros de Vitória. No primeiro julgamento, em junho de 1997, no Fórum de Pedro Canário
o dirigente do MST foi condenado a 26 anos e 6 meses de reclusão. Como a pena ultrapassou 20 anos, o réu teve direito a um segundo julgamento e ainda conseguiu, por meio de seus advogados, o desaforamento (transferência) do júri para a capital capixaba.
Marcado então para 13 de dezembro do ano passado, o segundo julgamento acabou adiado porque Rainha e seus advogados não apareceram, alegando falta de comunicação oficial. Em entrevista a Agência Estado, no entanto, o líder sem-terra garantiu que estará presente na segunda-feira. "Agora, estou com a intimação no bolso."
O dirigente do MST afirmou esta semana que sofreu duas ameaças de morte. Segundo ele, foram duas ligações para o seu celular, nas quais os interlocutores lhe teriam dito para "tomar cuidado" com o que pretende dizer no julgamento. Além dos telefonemas, Rainha disse que recebeu um telegrama contendo o número de um ex-presidiário que teria dividido cela com ele, em 1992, em Vitória, quando foi preso pelo crime. "Entreguei o caso para os meus advogados", afirmou. "Se ele for condenado, a Anistia vai considerá-lo um preso político, e isso será muito ruim para a imagem do Brasil no exterior", disse Diolinda Alves de Souza, mulher de Rainha.

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