O julgamento de José Rainha Júnior atraiu menos gente a Pedro Canário do que era esperado. A direção nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) estimou em 3.500 o número de trabalhadores que chegaram ontem à cidade para dar apoio ao líder do MST. Na segunda-feira, a expectativa era de que esse número ultrapassasse os cinco mil. A Polícia Militar mobilizada para acompanhar o julgamento avaliou em mil o número de manifestantes.
Algumas informações desencontradas dos sem-terra davam conta de que havia representantes da imprensa estrangeira no fórum, mas até as 15 horas nada foi confirmado. Mas, mesmo estando em número inferior do que o programado, os trabalhadores enfrentaram um grupo de 23 policiais que tentaram impedi-los de entrar na cidade carregando foices e facões. ‘‘Não recebemos nenhum comunicado oficial dizendo que deveríamos deixar nossos instrumentos de trabalho em casa, por isso vamos com eles’’, disse Ademar Borgo, que liderava a caminhada de apoio a Rainha vinda de Murici, no sul da Bahia. Ele garantiu à polícia que a manifestação transcorreria pacificamente. Até às 15 horas não havia sido registrado nenhum incidente.
Antes de se concentrarem próximos ao fórum, os trabalhadores vindos da Bahia encontraram-se às 10 horas na BR-101, que corta Pedro Canário, com as marchas que saíram na segunda-feira de São Mateus (a 50 quilômetros) e de assentamentos da região.
Na porta do fórum, sob um sol forte, cerca de 50 PMs impediam que pessoas não autorizadas entrassem na sala do julgamento. Caixas de som foram instaladas do lado de fora, para que os trabalhadores pudessem ouvir os depoimentos.
Toda a liderança dos sem-terra no Pontal do Paranapanema, em São Paulo, assim como muitos acampados da região, onde Rainha mora hoje, compareceu para dar apoio ao líder do movimento. Estavam ainda presentes o presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente nacional da CUT, Vicente Paulo da Silva, deputados federais, estaduais e vereadores da região filiados ao PT, representantes de várias entidades sindicais, alguns prefeitos da região e estudantes.
Enquanto o julgamento transcorria no fórum, do lado de fora a liderança do MST organizou uma votação, aberta a toda população, pedindo a opinião do povo sobre a condenação ou não de Rainha. Foram feitas dez mil cédulas e quatro urnas foram espalhadas próximas ao fórum. O resultado dessa votação, segundo os organizadores, será apresentado ao juiz.

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