Curitiba- Uma confusão entre os juízes do Tribunal de Júri de Curitiba provocou ontem o adiamento do julgamento dos dois ex-policiais civis Airton Adonski Júnior e Reinaldo Siduowski, acusados de serem co-autores do assassinato do estudante Rafael Zanella em maio de 1997. Essa foi a sexta vez em que o julgamento dos ex-policiais foi adiado. Zanella foi morto com um tiro na cabeça durante uma blitz feita por policiais civis do 12º Distrito Policial, no bairro Santa Felicidade.
Ele e os três amigos que estavam no carro foram acusados de tráfico de drogas. Os meninos ficaram presos e foram liberados depois de supostamente terem sido torturados. Perícias técnicas comprovaram que a própria polícia forjou o flagrante de drogas e um tiroteio para justificar o assassinato, por engano, do estudante, que tinha apenas 19 anos. Uma arma teria sido colocada dentro do automóvel de Rafael Zanella para tentar justificar o assassinato.
Adonski Júnior e Siduowski já foram julgados e condenados em 1998 por crimes de tortura, denúncia caluniosa, fraude processual e homicídio. Adonski Júnior foi condenado a pena de 40 anos de prisão. Siduoswki pegou 21 anos. Como as penas foram superiores a 20 anos, os advogados de defesa recorreram e conseguiram levar os dois a júri popular. ''Os advogados alegam que a pena foi muito pesada para quem foi apenas, segundo eles, co-autores de homicídio. Agora eu pergunto, a pena de morte imposta por eles ao meu filho não foi pesada?'', questionou ontem Elizabeta Zanella, mãe de Rafael.
Elizabeta disse que não consegue ter paz por causa da morte do filho e dos julgamentos que nunca acontecem. Apenas o autor do disparo, Almiro Schmidt foi julgado e cumpre pena por homicídio. ''É muito difícil ter que se preparar para os julgamentos e viver todo o tormento da morte de meu filho. Claro que nunca vamos esquecer o que aconteceu. Mas quando a gente pensa que vai tocar a vida, recomeça'', disse ela. ''Já faz oito anos e meio e tenho a impressão que não vai acabar nunca. Estou muito revoltada com tudo isso. Esse é um País de faz de conta'', desabafou.
Os outros quatro denunciados pelo Ministério Público (MP) estadual não foram levados a julgamento. O delegado Maurício Fowler Bitencourt é acusado de ter mandado os policiais civis forjarem um flagrante para não responderem pelo homicídio na Justiça. O delegado Francisco José Batista da Costa e os investigadores Carlos Henrique Dias e Daniel Santiago Cortez também são acusados de ter participado da farsa.
A confusão do nome do juiz que iria presidir o julgamento foi ocasionada pelo pedido de suspeição por parte da defesa contra Fernando Ferreira de Novaes, designado para o caso. Novaes está na Justiça Eleitoral e estará retornando para o Tribunal de Júri em fevereiro, quando reassumirá o caso. O juiz que marcou o julgamento para ontem, Rogério Etzel, disse que não teve tempo para analisar o processo. O advogado de defesa, Cláudio Dalledone Júnior, acredita que um juiz especial poderá ser designado nos próximos dias para o novo julgamento.

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