Ancara, 26 (AE-ANSA)- O julgamento do líder do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), Abdullah Ocalan, detido há 11 dias na Turquia e acusado de traição, tem data formal para começar, em 24 de março, mas ainda não há lugar definido.
Tanto não está claro se o julgamento será realizado em Ancara ou na ilha de Imrali, onde Ocalan permanece detido desde sua captura no Quênia, como tampouco foi esclarecido se o líder separatista contará com uma defesa adequada durante o processo.
Os advogados de Ocalan anunciaram hoje que abandonarão o caso se as autoridades turcas não garantirem a segurança deles e se não forem levantados "todos os obstáculos" que atualmente impedem uma defesa adequada de seu cliente.
Uma equipe de 15 advogados curdos foi designada pela família de Ocalan para defender o líder do PKK da acusação de "traição" ao Estado no processo que havia sido aberto contra ele à revelia.
Em uma entrevista coletiva em Istambul, Ahmet Zeki Okcioglu e Hatice Korkuk, os advogados que na quinta-feira se reuniram com Ocalan na cadeia, colocaram em dúvida a participação deles no julgamento.
Os dois pediram às autoridades que ponham fim "às ameaças contra os defensores e suas famílias" e o "interrogatório intensivo, que prossegue, do líder curdo por parte dos serviços de segurança" turcos.
Além de solicitar o "imediato" traslado de Ocalan a uma cadeia comum, Okcioglu pediu que cesse a campanha de imprensa, baseada em revelações e acusações, que poderia criar um ambiente adverso a um julgamento justo.
O advogado anunciou que "suspendia a partir de agora" sua defesa, denunciou ameaças contra ele e sua família e sublinhou que todos os defensores de Ocalan estão dispostos a renunciar porque se sentem em perigo.
O primeiro-ministro turco Bulent Ecevit classificou de "muito exageradas" as preocupações de Okcioglu e afirmou que o Estado tem tomado as medidas necessárias para proteger os advogados.
Okcioglu denunciou o modo pelo qual transcorreu o interrogatório dos fiscais em Imrali e seu encontro com o líder curdo, pondo em dúvida "a validade do ato de acusação" que se prepara em vista do processo.
Também explicou que a reunião com Ocalan foi realizada na presença de dois guardas mascarados, apesar de o magistrado que os acompanhava e assistia à visita ter pedido para que se retirassem.
Segundo os advogados do líder curdo, a saúde de Ocalan "parece boa", mas as condições de isolamento e os contínuos interrogatórios provocam temores sobre um "colapso psicológico" do detido.

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