Amigos e familiares de Sérgio Ferreira da Silva, escrivão da Polícia Federal assassinado em 1993, acompanharam por mais de 12 horas a sessão do júri popular na expectativa de ver o médico José Carlos da Costa condenado pelo crime de homicídio. A pena para esse tipo de crime pode variar entre 12 a 30 anos de prisão. A sessão, que lotou o Tribunal do Júri de Londrina, começou às 8h30 e se estendeu durante a noite de ontem.
Marcada por momentos de tensão entre o advogado da defesa, Antônio Carlos da Andrade Vianna, e a promotora da 1 Vara Criminal, Susana Feitosa Lacerda, a sessão reuniu grande número de policiais federais que trabalhavam com a vítima.
A funcionária pública Silvana Barroso Zanluchi da Silva lembrou que estava casada havia dois anos quando o marido foi morto. Para ela, reviver detalhes do dia em que perdeu o pai de seu filho, na época com seis meses de idade, foi motivo de emoção. ''Eu preciso sentir que essa história tem um fim. Sinto como se houvesse alguma coisa pendente na minha vida. Mesmo tendo passado tanto tempo, ainda assim desejo que a justiça seja feita e que ele (o réu) seja condenado pelo que fez'', reforçou.
Durante a sessão, a promotora mostrou aos jurados que o crime que tirou a vida de Sérgio de forma banal. ''A futilidade do crime está exatamente numa briga de trânsito em que ele tira a vida de uma pessoa'', disse. Já o advogado da defesa defendeu o júri deveria ser composto por ''pessoas da comunidade'' e não somente por funcionários públicos. ''O que se vê aqui é um Ministério Público sem coração que só quer condenar um cidadão'', apelou. Ele alegou que seu cliente estaria sendo vítima de corporativismo por agentes da PF que, na época, contrataram um perito de Brasília (DF) para ajudar no laudo realizado pelo Instituto Médico Legal (IML) de Londrina.
O julgamento de José Carlos da Costa aconteceu 17 anos depois do crime ocrrido em 9 de abril, na Avenida Ademar de Barros Filho (Zona Sul de Londrina), motivado por discussão de trânsito. A demora, segundo a promotora da 1 Vara Criminal, se deu por pendências periciais e por conta de inúmeros recursos da defesa.
O filho da vítima, hoje com 16 anos, acompanhou a sessão. ''Ele quis vir comigo. Eu até fiquei preocupada com isso, mas ele quis. Ele cresceu sem o pai e hoje esse médico fala que o filho dele está com depressão. Ele quem fez a coisa errada. Foi meu filho que cresceu sem ao menos ter idéia do que é ter um pai'', desabafou a viúva.
O médico foi preso em 2006 acusado de causar a morte de paciente depois de administrar droga para emagrecer. Ele respondeu o processo em liberdade. Até o fechamento desta edição, a sessão não havia terminado.

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