Julgamento de José Rainha é adiado
Agência Estado
De Vitória
O julgamento do líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) José Rainha Junior, marcado para as 8 horas de ontem, foi adiado para março. O réu, os advogados e as testemunhas de defesa e de acusação não compareceram ao Tribunal do Júri em Vitória. A alegação dos advogados, Luiz Eduardo Greenhalgh e Aton Fon Filho, foi a de que nem eles nem seu cliente receberam a intimação para o julgamento. As três testemunhas de acusação assinaram o aviso de recebimento da intimação, mas, mesmo assim, não apareceram.
O juiz da 1ª Vara Criminal, Ronaldo Gonçalves de Sousa, disse que poderá pedir a prisão preventiva do réu a qualquer momento, caso fique provado que ele e seus advogados realmente tentaram obstruir a boa aplicação da lei. Vamos, primeiro, examinar todos os fatores que levaram ao não-comparecimento deles, o fato, porém, é que eles todos sabiam do julgamento, mas não vieram.
Rainha foi condenado em 10 de junho de 1997 a 26 anos e seis meses de prisão como co-autor dos homicídios do fazendeiro José Machado Neto e do soldado PM Sérgio Narciso da Silva. Como sua pena foi superior a 20 anos, Rainha teve direito a novo julgamento.
Para a promotora Ivanilce da Cruz Romão, houve no mínimo má-fé da oficial de justiça Celi Menegon, encarregada de intimar o réu e seus advogados. As cartas precatórias foram expedidas pelo juiz Ronaldo de Sousa no dia 30 de setembro e chegaram ao Fórum da Aclimação, em São Paulo, no dia 7 de outubro. No dia 20 daquele mês, a oficial de justiça já estava com os mandados judiciais nas mãos, mas só na quinta-feira passada ela foi até o escritório de Greenhalgh e Fon Filho (Rua Bernardo da Veiga, número 14, Sumaré), indicado pelos advogados como sendo também o domicílio de Rainha.
Na certidão, Celi alega que uma tal dona Débora, moradora do local, lhe havia informado que desconhecia aquele endereço como dos advogados. O endereço é o do escritório de Greenhalgh e Fon Filho.
Apesar de a certidão ter sido emitida na quinta-feira, dia 9, o juiz Ronaldo de Sousa só tomou conhecimento da sua existência às 18h30 da última sexta-feira, quando a juíza da 19ª Vara Criminal de São Paulo, Kenarik Boujikian Felippe, lhe enviou um fax com uma cópia do documento.
O juiz acabou deferindo os dois ofícios apresentados pela promotora durante a sessão do júri. O primeiro determina que a OAB de São Paulo envie o endereço correto dos advogados de Rainha. Caso seja o mesmo que aparece no processo, o juiz enviará, a pedido do MP, ofício à Corregedoria Geral de Justiça paulista pedindo medidas contra Celi.
O juiz também enviará novamente cartas precatórias intimando as cinco testemunhas de defesa, os advogados e o réu. No caso de Greenhalgh, Fon Filho e Rainha, Ronaldo de Sousa ainda vai mandar publicar as intimações em edital no Diário Oficial da Justiça de São Paulo.
As cinco testemunhas de Rainha, que moram no Ceará, receberam a intimação, mas apenas o aviso de recebimento do presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Quixeramobim (CE), Antônio Ednilo, chegou à 1ª Vara Criminal de Vitória antes do júri.O líder sem-terra, os advogados de defesa e testemunhas não compareceram ao Tribunal em Vitória alegando que não foram intimados
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