Julgamento de Hildebrando deve atrasar com greve de juízes
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segunda-feira, 07 de fevereiro de 2000
Por Edmilson Ferreira 
Rio Branco, 07 (AE) - O juiz federal Pedro Francisco da Silva
que julga os processos em que o grupo do ex-deputado Hildebrando Pascoal é acusado de tráfico internacional de drogas
vai participar da greve da categoria a partir do dia 28. A paralisação, segundo ele mesmo prevê, atrasará ainda mais a instrução dos processos dos 52 acusados de integrar uma organização criminosa liderada pelo deputado cassado.
"Vou aderir integralmente à paralisação. Não tem outro jeito", disse Silva. "Estamos sendo ludibriados na reforma do Judiciário". Os prazos, segundo os advogados de defesa, já se esgotaram porque nenhum dos acusados foram julgados e continuam presos provisoriamente.
A audiência foi encerrada na madrugada de hoje por causa do cansaço dos envolvidos. Em quatro dias, Silva ouviu 20 testemunhas de acusação. Outras três serão ouvidas na audiência dedicadas às 200 testemunhas de defesa, ainda sem data definida. O depoimento mais importante foi o do ex-empregado do ex-deputado José Gerardo de Abreu, Carlos Antonio Maia, o Carlinhos, que confirmou ter trocado com o sargento da Polícia Militar Alex Fernandes de Barros uma carreta roubada no Maranhão por um Del Rey com 40 quilos de pasta de coca escondidos no tanque de combustível, em 1996, na cidade de Brasiléia (220 kms de Rio Branco). Alex é tido como o braço direito de Hildebrando.
As sessões foram longas. As testemunhas eram questionadas pelo juiz, procuradores e advogados. Só uma delas, o peão de fazenda Irineu José de Lima, passou oito horas prestando esclarecimentos. A Polícia Federal, que manteve um contingente de 100 homens e um helicóptero na segurança das autoridades, acusados e testemunhas, gastou cerca de R$ 500 mil na operação.


