Julgamento de ex-PM acusado de participar da chacina de Vigário Geral termina amanhã
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terça-feira, 24 de agosto de 1999
Por Andréia Maia 
Rio, 25 (AE) - Dois sobreviventes da chacina e um parente de uma das vítimas de Vigário Geral depuseram hoje no segundo dia do julgamento do ex-policial militar Roberto Cezar do Amaral Júnior no 2º Tribunal do Júri, no centro do Rio. O réu é acusado pela morte de 21 moradores da favela e por quatro tentativas de homicídio, em 1993. O resultado do júri deverá ser conhecido amanhã (26). A sessão recomeçou hoje com os três depoimentos das testemunhas arroladas pelo Ministério Público.
O eletricista Jadir dos Santos e o servente Ubirajara relataram que escaparam porque se esconderam quando os criminosos entraram na favela e invadiram o bar, onde estava a maioria das vítimas. Já Vera Lúcia contou, emocionada, que os pais e os seis irmãos, todos evangélicos, estavam dormindo quando foram executados à queima-roupa. "A minha família não tinha ligações com traficantes da favela nem problemas com a polícia", disse Vera. Ela referia-se ao fato de que a chacina teria ocorrido em represália à morte de quatro policiais militares um dia antes.
O crime teria sido praticado pela quadrilha do já falecido traficante Flávio Negão por causa do suposto sequestro de irmão por policiais. Revoltados, um grupo de policiais teria articulado a matança durante o enterro dos quatro colegas e invadiu a favela, provocando 21 mortes.
Defesa - No início da tarde, o corpo de jurados - formado de três homens e quatro mulheres - ouviu o depoimento também de três testemunhas de defesa. Eles apresentaram a mesma versão para sustentar o álibi do reú: de que ele estaria em casa na companhia da família na noite do crime e só foi visto quando saiu de casa para desligar o alarme do carro do pai que disparou acidentalemente, retornando em seguida.
As perguntas da defesa, representada pela defensora pública Darci Cardoso, tanto para as testemunhas arrolados pelo Ministério Público como para as de acusação irritaram o juiz do processo, José Geraldo Antônio. O magistrado advertiu a defensora de que as perguntas deveriam estar relacionadas ao processo, do qual deveria ter conhecimento profundo. No final da tarde, as fitas de vídeo com reportagens sobre a chacina começaram a ser exibidas ao jurados, em seguida, seria iniciado o debate entre defesa e acusação.


