Julgamento de delegado deve acabar no domingo
PUBLICAÇÃO
sábado, 12 de dezembro de 1998
Agência Estado 
O julgamento do delegado Carlos Eduardo de Vasconcelos, iniciado anteontem, deve acabar domingo, de acordo com o juiz Luiz Fernando Camargo de Barros Vidal, do 1º Tribunal do Júri da Capital. Vasconcelos é acusado de omissão no caso das 18 mortes ocorridas no 42º Distrito Policial, no Parque São Lucas, na zona leste da cidade, no dia 5 de fevereiro de 1989.
Na ocasião, 50 presos ficaram confinados, nus, em uma cela-forte de 1,45 metro por 3,75 metros, com 2,50 metros de altura, sem ventilação, onde já estavam 20 colchonetes. De acordo com o depoimento dado ontem pelo perito Renato Delmonte, que elaborou o primeiro laudo médico, alguns presos morreram por sufocamento, por causa da pressão dos corpos uns sobre os outros. Os demais morreram por asfixia. Um preso que ficasse no local já corrreria risco de vida, disse o perito.
No primeiro julgamento, em 1996, Vasconcelos foi absolvido, com o voto de quatro jurados contra três. Os demais indiciados no processo foram o carcereiro José Ribeiro, que cumpre pena de 45 anos de prisão, e o investigador Celso José da Cruz, que era o plantonista no dia do massacre e teria determinado o espancamento e o confinamento dos presos, após uma tentativa de fuga frustrada. Cruz foi condenado inicialmente a 516 anos de prisão, mas aguarda em liberdade o segundo julgamento.


