Rio, 15 (AE) - A indústria siderúrgica nacional prevê para o fim deste mês o julgamento do recurso à decisão do governo argentino de sobretaxar preliminarmente o aço brasileiro (laminados a quente), tendo como base um processo antidumping movido pela siderúrgica argentina Siderar.
Na essência, a questão do aço difere das barreiras impostas aos produtos têxteis anunciadas ontem (14), uma vez que
no primeiro caso, trata-se de um processo movido pela indústria por questões comerciais; já o segundo é uma decisão de salvaguarda do governo argentino. Na prática, porém, as duas medidas têm a mesma consequência: tornam inviáveis as exportações brasileiras.
Em 19 de abril, por meio de medida provisória (MP) com prazo de quatro meses, a Argentina impôs um preço mínimo de US$ 410 por tonelada FOB (que não leva em conta os custos de frete e taxas portuárias) para o aço brasileiro. O valor é muito acima do especificado para transações internacionais e teve como alegação a acusação formal de dumping feita pela Siderar contra as brasileiras Usiminas e Companhias Siderúrgicas Nacional (CSN) e Paulista (Cosipa), de Cubatão, na Baixada Santista (SP).
"Este valor, em vigor atualmente, torna impossível exportar para Argentina, já que o preço, para os Estados Unidos, por exemplo, está em torno de US$ 300 a tonelada", comenta o diretor do Instituto de Brasileiro de Siderurgia (IBS) Rudolf Buhler. A indústria iniciou recurso administrativo contra a decisão argentina, levando em consideração falhas detectadas no processo de investigação e tendo como base os regulamentos internacionais da Organização Mundial do Comércio (OMC).
Em 1998, o Brasil exportou para o mercado argentino 209 5 mil toneladas de laminados a quente. Este ano, este volume deverá sofrer uma significativa redução por causa das restrições impostas à entrada do produto. A decisão do recurso e também a conclusão do processo antidumping e danos estão sendo esperadas para este mês.

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