Ancara, 30 (AE-ANSA) - O denominado "juízo do século" contra o líder curdo Abdullah Ocalan, que corre o risco de ser condenado à morte por "traição, separatismo e homicídio", será aberto amanhã (31) na Turquia em meio a um clima de tensão e de duras acusações de irregularidades.
O processo ocorrerá na ilha de Imrali, famosa porque nela foi enforcado o primeiro-ministro turco Adnan Menderes em 1961, mas também por ter sido cenário da fuga do cineasta Yilmaz Guney, que ali ambientou seu filme de denúncia democrática "A Rua", vencedor do Festival de Cannes de 1982.
No juízo contra Ocalan foi admitido um número limitado de observadores internacionais, diplomatas e jornalistas.
O líder do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), de 50 anos, preparou sua defesa de 110 páginas nas quais replica as acusações pela morte de milhares de soldados e civis durante 15 anos de guerrilha.
A intenção do manuscrito é converter o processo em uma plataforma para "uma solução democrática" do conflito curdo. Os advogados de Ocalan já anunciaram que o juízo será "um exame da democracia" turca.
O PKK, que mantém uma trégua e suspendeu os atentados suicidas
advertiu que uma condenação à morte de "Apo" (apelido de Ocalan) provocaria a expansão do conflito.

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