Florianópolis, 17 (AE) - Os magistrados da Justiça trabalhista de todo o Brasil decidiram hoje, em Florianópolis, por unanimidade, entrar em greve no dia 28. A deliberação foi feita em reunião do Conselho de Representantes da Associação Nacional dos Magistrados da Justiça Trabalhista (Anamatra), formado pelas Associações dos Magistrados do Trabalho (Amatras) estaduais. O clima do encontro era de revolta. Os juízes federais e do Trabalho reivindicam o teto salarial de R$ 12.720 00 para os ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ).
"A figura do juiz neutro, que não tem conflitos sociais, nem contas a pagar, não existe mais; podemos fazer greve como qualquer outro trabalhador", defendeu o presidente da Anamatra, juiz Gustavo Tadeu Alkimim.
Segundo ele, o momento não permite que o juiz continue agindo como um ser "insosso" e que fique acima da sociedade. "Existe um clima de revolta; outras categorias estão recebendo benefícios; um delegado da Polícia Federal (PF) ganha mais do que um ministro do STF (Supremo Tribunal Federal); isso mostra que existe uma ação deliberada", disse Alkimim.
Os juízes do Trabalho não têm reajuste salarial há cinco anos. Eles aguardam a votação de lei específica prevista na reforma administrativa desde de maio de 1998. "A definição de um teto de R$ 12.720,00 não interessa aos marajás, aos deputados federais e nem mesmo ao presidente da República, que acumula inúmeras aposentadorias", declarou o presidente.
Para ele, a alternativa de deixar de fora da proposta de emenda do subteto salarial as gratificações dos deputados resultará num "verdadeiro trem da alegria". "A nossa reivindicação é que haja uma solução o mais urgente possível, nem que seja um abono, contanto que o teto atinja R$ 12.720,00"
frisou. Hoje, um juiz do trabalho em início de carreira recebe cerca de R$ 3.600,00. Com a remuneração máxima de R$ 12.720,00, o contra-cheque saltaria para R$ 5.200,00.
Na avaliação de Alkimim, o movimento pela greve não provoca nenhum constrangimento nos magistrados, detentores de grandes salários, se comparados com o mínimo, de 136 reais. "É o momento ideal para a sociedade refletir sobre a importância do Judiciário", disse. A Anamatra reúne 2.900 associados (30% aposentados). Um total de 22 associações regionais esteve presente ao encontro, que decidiu pela greve nacional da categoria.

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