Os juízes federais paranaenses vão paralisar hoje as atividades em repúdio as acusações de corrupção feita pelo presidente do Congresso Nacional, senador Antônio Carlos Magalhães (PFL), e a indefinição do teto máximo do funcionalismo público. A manifestação, que é nacional, acontece em Curitiba no prédio da Justiça Federal, no centro da cidade. Em apoio ao ato dos juízes federais, a Associação de Magistrados do Trabalho do Paraná (Amatra-PR) vai interromper o expediente por uma hora, à partir das 13 horas.
De acordo com a delegada da Associação de Juízes Federais, a juíza Gisele Lemke, o presidente do Congresso, o senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), aliado ao poder Executivo, tem interesse em desmantelar o poder Judiciário. ‘‘Querem desestruturar a Justiça, para que não se oponha à política do atual governo’’, diz. Segundo ela, essa ação está se concentrando sobre a área da Justiça do Trabalho, mas as acusações e insinuações de corrupção são generalizadas.
Para ela, se existe corrupção está em todas esferas. ‘‘O poder Judiciário é aquele que sofre menor pressão de interesses externos’’, acrescenta o presidente em exercício da Amatra, Célio Waldraff. Para o juiz, é no poder Judiciário que a presença de corruptos é menor.
Waldraff admite que a Justiça precisa ser reciclada, a começar pela extinção dos juízes classistas e a reforma no código das leis de trabalho. ‘‘Somos também favorável à extinção da Justiça Militar’’, acrescenta Gisele Lemke.
A juíza considera que a proposta de extinção da Justiça do Trabalho vai prejudicar a vara federal. ‘‘Existem estruturas especializadas, exercendo funções específicas, que ficaram sobrecarregadas com a incorporação das ações trabalhistas’’, afirma. Para Célio Waldraff, da Amatra, a absorção dos pleitos do trabalho seria como trocar ‘‘seis por meia dúzia’’. ‘‘Terão que criar novas varas especilizadas em ações trabalhistas, o que não vai significar redução de gastos’’, avalia.
Quanto à fixação de um teto máximo, Gisele Lemke afirma que o Executivo e o Legislativo estão empurrando o assunto com ‘‘a barriga’’. Ela considera que esta política é gerada pela existência de muitos funcionários e pessoas do alto escalão que ganham mais do que o teto defendido pelo Judiciário, de R$ 12.720,00.
Os juízes federais e do Trabalho de Maringá pretendem participar hoje da mobilização através de um ato público, à partir das 16 horas no auditório da Justiça Federal. Os dois órgãos vão funcionar normalmente, sem prejuízo aos usuários. A luta, segundo os juízes federais, ‘‘é pela garantia das liberdades democráticas, através do fortalecimento da Justiça’’. A proposta principal é a abertura do diálogo em torno da reforma judiciária, que será debatida pelo Congresso Nacional ainda esse ano. Os juízes querem também a criação da Defensoria Pública e o fim das Medidas Provisórias.
Os juízes federais de Londrina vão aderir à paralisação da Magistratura Federal. Segundo o juiz da 1ª Vara, Arthur César de Souza, os juízes não comparecerão à sede da Justiça até por volta das 16h30, mas os cartórios funcionarão normalmente. Hoje, às 16h30, os juízes londrinenses irão reunir, na sede da Justiça Federal, representantes de diversos segmentos de Londrina e região para expor os motivos do movimento.

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