Juízes querem sindicatos contra extinção dos TRTs
Os magistrados de todo o País vão promover a partir desta semana uma série de encontros com representantes de entidades sindicais em busca de apoio contra a extinção da Justiça do Trabalho. As reuniões vão ser utilizadas também para apresentar um balanço da Semana de Mobilização pela Cidadania e Justiça, promovida pela Associação dos Magistrados do Brasil (AMB) em todo o País, e para divulgar as propostas da categoria para a reforma do Poder Judiciário.
Segundo o presidente em exercício da Associação dos Magistrados do Trabalho da 9ª Região (Amatra), Célio Horst Waldraff, a estratégia foi decidida durante a semana de mobilização, que aconteceu entre 24 a 31 de março. A meta é manter a sociedade e os juízes participando do processo de reforma do judiciário que começa a tramitar em comissão especial na Câmara dos Deputados, e da CPI do Judiciário, proposta pelo senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA). Queremos sensibilizar os assalariados e os trabalhadores de que o fim da Justiça do Trabalho vai significar também o fim dos Direitos Trabalhistas, disse.
Para Waldraff, o projeto de ACM de extinguir a Justiça do Trabalho e a instalação de uma CPI do Judiciário, têm como pano de fundo uma manobra quebusca baratear a mão-de-obra dos trabalhadores brasileiros. Isso faz parte de um grande projeto internacional de deixar a economia nacional cada vez mais marginalizada, destruindo o pouco que resta de instrumento social no Brasil, disse.
Fazendo um balanço da semana de mobilização dos magistrados, Waldraff defendeu a constante mobilização da população para se conseguir melhorias na Justiça brasileira. Não se deve perder esse momento histórico de se melhorar as condições de prestação de serviço pelo Judiciário, afirmou. Para o magistrado, a grande virtude do movimento foi sensibilizar a sociedade para a crise do Judiciário e iniciar o processo de participação.
O presidente da Associação dos Magistrados do Paraná (AMP), Ruy Fernando de Oliveira, concorda com Waldraff, ao afirmar que a mobilização dos juízes atingiu seus objetivos ao alertar a sociedade. Segundo Oliveira, os magistrados vinham discutindo os problemas da categoria, antes mesmo da proposta de criação da CPI do Judiciário, entre eles o excesso de medidas provisórias editadas pelo governo federal e o descumprimento de medidas judiciais.
Oliveira disse, que as principais propostas da AMP para um novo Judiciário são a extinção do cargo de juiz classista, eleição direta para a cúpula dos tribunais, proibição do nepotismo e a criação de Juizados Especiais da União, que receberiam as causas de interesse da União de menor valor. A AMP pretende ainda a contratação de mais juízes, e a adoção da súmula impeditiva, que só admite recursos para casos que forem decidos contra súmula existente.Mauro FrassonposicionamentoSegundo o presidente em exercício Amatra, Célio Waldraff, a estratégia foi decidida mobilização da categoriaGuilherme Vieira





