Islamabad, 26 (AE-AP) - O presidente da Suprema Corte do Paquistão, que deveria ouvir os argumentos sobre a validade de um golpe de Estado, foi afastado hoje (26) junto com seis outros juízes da corte por se recusar a cooperar com o governo militar.
A efetiva demissão coincidiu com o início do julgamento do ex- primeiro-ministro Nawaz Sharif. Os militares acusam Sharif de sequestro, tentativa de homicídio e terrorismo.
Seis dos 13 juízes da Suprema Corte negaram-se a cumprir uma ordem do chefe militar general Pervez Musharraf de prestarem um novo juramento sob a constituição provisória elaborada pelos militares. O novo juramento protege na prática os militares de ações legais. A recusa significa que os juízes não poderão mais julgar e representa o maior desafio aos militares desde que eles assumiram o poder no Paquistão num golpe em 12 de outubro.
"O que foi feito o foi em nome dos melhores interesses do país e da nação", garantiu Musharraf a repórteres depois da cerimônia de posse dos sete juízes da Suprema Corte que prestaram o juramento.
O chefe de justiça, Saeeduzaman Siddiqi, foi substituído por Ershad Hassan Khan, informaram funcionários da corte. Houve notícias de vários outros juízes no país recusando-se a cumprir a ordem.
Siddiqi disse à Associated Press que iria apenas "trabalhar sob a constituição, e não sob a constituição provisória".
A nova constituição sacramenta o regime de emergência e torna ilegal desafiar qualquer ação dos militares. Com juízes jurando sob a nova carta, ela garante que desafios legais ao regime militar não serão admitidos nos tribunais.
Mais cedo hoje, o julgamento de Sharif sofreu um atraso depois que seus advogados argumentaram que a Suprema Corte deveria primeiro decidir sobre a legalidade do golpe militar - precisamente o tipo de desafio proibido pela nova constituição.
A Suprema Corte deveria começar a considerar em 31 de janeiro um desafio legal ao golpe.
Depois de uma hora de recesso, o juiz Rehmat Hussein Jaffri rechaçou os argumentos da defesa e permitiu que o julgamento tivesse início.
A testemunha-chave da promotoria, Aminuddin Chaudhry, o ex- diretor-geral da Autoridade da Aviação Civil do Paquistão, testemunhou que Sharif ordenou a ele para não permitir que um avião transportando Musharraf e outros passageiros aterrisasse no Paquistão na noite do golpe.
Promotores acusam Sharif de ter mantido a avião no ar intencionalmente durante as primeiras horas do golpe, quando Musharraf retornava do Sri Lanka, pondo em risco a vida de todos a bordo. Quando o avião eventualmente pousou, ele teria combustível para permanecer apenas mais sete minutos no ar.
Os advogados de Sharif perguntaram a Chaudhry - que recebeu imunidade contra processo por seu testemunho - se ele havia sido coagido pela polícia ou pelos militares para testemunhar contra seu antigo colega. Ele insistiu que não sofreu pressão.
Sharif tem se declarado inocente das acusações.
O governo liderado pelos militares tem prometido que Sharif terá um julgamento "justo, aberto e transparente". Três das quatro acusações contra ele podem ser punidas com a pena de morte ou prisão perpétua.

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