Juízes movem ação contra advogado
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terça-feira, 01 de julho de 2008
Reportagem Local 
Londrina- Os juízes da 1 e 5 Varas Cíveis de Londrina, Mauro Ticianelli e Alberto Júnior Veloso, ingressaram com ação judicial para reparação de danos morais, no valor de R$ 100 mil, contra o advogado Ronaldo Neves - conhecido pela defesa de políticos envolvidos na crise da Câmara Municipal e no escândalo Ama/Comurb. De acordo com os juízes, Neves utilizou seus nomes para justificar ressarcimento de despesas efetuadas em nome da Associação Evangélica Beneficente de Londrina - entidade mantenedora do Hospital Evangélico -, para a qual o profissional advoga.
Anexadas à denúncia, foram encaminhadas cópia de quatro notas fiscais, no montante total de R$ 853, relativas a almoços e jantares que Ronaldo Neves disse ter promovido com os juízes. Segundo Ticianelli e Veloso, ao usar seus nomes, o advogado dava a entender que os encontros visavam tratar de assuntos relativos a processos de interesse da entidade que tramitam nas varas em que atuam.
De acordo com os recibos de ressarcimento, os magistrados teriam comparecido aos jantares acompanhados de suas esposas. Nas notas, também são citados os nomes de um terceiro juiz e de um procurador que não participam da ação. ''É inescrupuloso. Os juízes nunca trataram de assuntos relativos a processos sob sua jurisdição em jantares, e menos ainda acompanhados de suas esposas. São afirmações graves e levianas'', afirmam os autores da denúncia.
Antes de ingressar com a ação, que está tramitando na 2a Vara Cível, Veloso e Ticianelli fizeram uma notificação extrajudicial ao advogado - e receberam a resposta de que ocorrera um ''equívoco sem consequência''.
Procurados pela FOLHA, os dois juízes foram econômicos nas palavras. ''Não quero dar entrevista. Fiquei muito chateado. Procurei meus direitos para ver isso reparado'', disse Ticianelli. Veloso preferiu não se manifestar.
Ronaldo Neves também optou pelo silêncio. ''Vou me manter reservado e explicar no próprio processo. Esse assunto não deveria chegar onde chegou''. O defensor de Neves, João Gomes, também não quis se pronunciar.


