Juízes mineiros promovem manifestação contra CPI
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quarta-feira, 24 de março de 1999
Por Evaldo Magalhães 
Belo Horizonte, 25 (AE) - A Associação dos Magistrados de Minas Gerais (Amagis) realiza amanhã (26), em frente ao Forum Lafayette, no centro de Belo Horizonte, uma manifestação contra a criação de CPI no Senado para investigar irregularidades no Poder Judiciário. Segundo o presidente da entidade mineira, Elpídio Donizetti Nunes, a iniciativa do presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães, idealizador da CPI, "é uma insubordinação civil". "É isso que o senhor senador está fazendo, em última análise: jogando um poder contra o outro e taxando todos de corruptos", disse o juiz.
Embora reconheça que a Justiça brasileira seja "morosa" e esteja "adoentada", Nunes afirmou que, em vez de criar uma CPI
Magalhães deveria ter tomado outro caminho para tentar solucionar o problema. "Ele contribuiria muito mais se apresentasse os fatos aos órgaos competentes, para que fossem punidos", explicou. "As pessoas que constantemente atacam a Justiça esquecem, por desinformação ou por pura má-fé, de apresentar as causas dessa doença", completou. Nunes disse ainda que a pregação do fim da Justiça "se deve ao fato de ela representar uma barreira, ainda que diminuta, à política neoliberal implantada no País".
Hoje de manhã, dezenas de juízes do Tribunal Regional do Trabalho de Minas também fizeram uma manifestação contra a CPI do Judiciário, abraçando simbolicamente o prédio do órgão, na Zona Sul da capital. Segundo a Associação dos Magistrados do TRT
a maioria dos juízes, a exemplo do senador Antônio Carlos Magalhães, é contra a prática do nepotismo na Justiça do Trabalho e a favor da extinção das representanções classistas - os chamados vogais - nas juntas de conciliação e nos tribunais.
Em suma, eles defendem reformas no Poder Judiciário, mas recusam qualquer tipo de interferência do Legislativo.


