São Paulo, 15 (AE) - Os 220 juízes do Trabalho e os 71 da Justiça Federal de Minas Gerais decidiram, em assembléia, aderir à greve nacional da categoria, prevista para o dia 28. O Estado é o 12º a mostrar disposição pela paralisação. Amanhã (16), os juízes de São Paulo também se reúnem para discutir a greve. A presidente da Associação dos Magistrados do Trabalho do Estado (Amatra), Lizete Bellilo, garantiu que o indicativo é de greve. A convocação para o encontro foi feita pela direção da Amatra, por meio de carta para os juízes do Estado. "Gostaria que não houvesse motivo para o movimento", disse Lizete.
Os juízes vão discutir a estratégia da paralisação - caso ela seja aprovada. Uma das alternativas seria uma espécie de "greve branca": os juízes permaneceriam em seus gabinetes e um deles ficaria de plantão para resolver eventuais emergências, como análise de causas urgentes, principalmente quando houver risco à vida ou à liberdade.
O presidente do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) de São Paulo, Floriano Vaz da Silva, manifestou-se contra o movimento. Alega que nenhum dos titulares dos três poderes - Executivo, Legislativo e Judiciário - deveria fazer greve. "Isso é contra todos os princípios que servem de base para a democracia", comentou. Ele defendeu que uma outra saída, que não seja a greve nacional, deve ser encontrada com urgência.
A decisão final sobre a greve começará a ser conhecida a partir de quinta-feira (17), quando o colégio de magistrados de todos os Estados se reunirá em Florianópolis, encontro que vai se estender até sexta-feira. Além de Minas Gerais, já aderiram à paralisação Rio, Pará, Rio Grande do Sul, Maranhão, Ceará, Mato Grosso do Sul, Piauí, Pernambuco, Amazonas, Paraná e Bahia.
Com a paralisação dos juízes mineiros, as 114 varas trabalhistas da capital paulista deixam de receber uma média de 20 processos diariamente, cada uma. Os magistrados federais das 37 varas de Minas, também determinados a parar, estarão deixando de examinar aproxidamente 300 novos processos por dia.
Pesquisa - A delegada da Paraíba, da Associação dos Juízes Federais (Ajufe), juíza Cristina Maria Costa Garcez, disse hoje que os juízes federais paraibanos estão dispostos a aderir a greve. "A maioria dos juízes está conosco", disse a delegada, que deseja "uma greve prá valer" dos magistrados que vivem unicamente de suas remunerações.
Uma pesquisa realizada pela Ajufe mostra que os juízes da Seccional da Paraíba temem participar do movimento, o que fez a delegada pedir maior reflexão aos colegas contrários à greve. Ela disse que a greve dos magistrados pode ser o estopim de uma retomada de consciência por parte da "nação adormecida".

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