Juízes militares aderem à greve
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quinta-feira, 24 de fevereiro de 2000
Por Clarissa Thomé 
Rio, 25 (AE) - Os juízes militares federais vão aderir à greve de magistrados, marcada para a próxima segunda-feira (28). O presidente da associação da categoria, Edmundo Franca de Oliveira, acredita que os 60 juízes militares - 12 no Rio e 48 espalhados pelo país - irão paralisar as atividades. "A idéia é forçar o governo e o Congresso a estabelecer o teto para o funcionalismo público federal, que se arrasta há dois anos e não foi fixado", afirmou. "Estamos cinco anos sem aumento e os salários estão defasados em 65%."
Segundo o magistrado, algumas categorias da administração federal receberam reajuste por medida provisória. "Há um desprestígio com o judiciário", afirma Franca de Oliveira. "O Poder Judiciário forte significa democracia fortalecida e nem todos gostam dessa situação." Franca de Oliveira atribui ainda o enfraquecimento da Justiça a "interesses internacionais".
Os magistrados da Justiça Militar Federal decidiram aderir à greve na última quinta-feira, em assembléia no Rio de Janeiro. Em nota divulgada por Franca de Oliveira, a associação diz ter levado em conta a "sistemática campanha de desgaste da magistratura nacional, inclusive com críticas de autoridades estrangeiras e de lideranças políticas a decisões da nossa mais alta corte de Justiça".
A exemplo da Associação dos Magistrados Brasileiro, que decidiu que os juízes permanecerão em seus gabinetes durante a paralisação, Franca de Oliveira recomendou aos magistrados militares que "permaneçam à frente de seus juízos, para evitar prejuízo ao direito de liberdade".
Nota - O Sindicato dos Advogados do Rio divulgou hoje nota contrária à greve, mas apoiando as reivindicações salariais dos juízes federais. No informe, o presidente do sindicato, Wadih Damous Filho, reconhece a necessidade da "luta por remuneração mais digna", mas critica a paralisação por prejudicar "aqueles que dependem do Judiciário para solucionar os seus conflitos pela vida civilizada do processo". "A adoção de mecanismos outros, menos traumáticos à população, fosse talvez a solição ideal", diz a nota. A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), seção Rio de Janeiro, não se pronunciou sobre o caso, seguindo diretriz da OAB nacional.


