Brasília, 09 (AE) - Serão ouvidas amanhã (10) na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), duas testemunhas de acusação do deputado Hildebrando Pascoal (PFL-AC), os juízes eleitorais Jair Araújo Facundes e Denise Castelo Bonfim. Os juízes foram autores do pedido de busca e apreensão de supostos títulos eleitorais falsos na casa do deputado em outubro do ano passado. Pascoal teria impedido a busca, originando assim um pedido de licença para processá-lo pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo o relator do pedido de licença para processar Hildebranco, deputado Inaldo Leitão (PMDB-PB), os juízes afirmaram que devem trazer "muitas revelações" sobre o deputado. As duas testemunhas são apontadas no texto de defesa de Hidelbrando, que acusa os juízes de terem feito o pedido de busca e apreensão por serem seus inimigos políticos.
Hoje, o Supremo Tribunal Federal (STF) redistribuiu para o ministro Nelson Jobim o segundo pedido de licença para processar o deputado Hildebrando Pascoal (PFL-AC), dessa vez por acusação de sequestro e cárcere privado. O processo estava nas mãos do atual presidente do Supremo, ministro Carlos Velloso. O pedido deverá ser enviado para a Câmara na próxima semana.
Até a próxima semana, contudo, o relator desse pedido quer estar com seu realtório pronto. "Se o outro processo chegar em tempo, será apensado a este", disse Leitão. Hidelbrando teria impedido a busca, impedindo o trabalho de agentes da Polícia Federal, portando uma escopeta calibre 12, além de seus seguranças estarem armados.
Neste segundo processo que será enviado pelo STF, Pascoal é acusado de ter sido o autor intelectual do sequestro de Clerisnar dos Santos Alves e seus dois filhos menores, em julho de 1996. As vítimas teriam sido encapuzadas e levadas para um sítio no interior do Acre. Lá, Clerisnar afirmou ter sido interrogada sobre o paradeiro de seu marido, Hugo dos Santos Alves.
Hugo vinha sendo procurado pela polícia como suspeito do assassinato do irmão do deputado, Itamar Paschoal. Segundo Clerisnar, nos quatro dias de sequestro, Hidelbrando e seu primo
o coronel da polícia militar Aureliano Paschoal, a interrogaram sobre o paradeiro de seu marido. Ainda segundo a vítima, depois do interrogatório, foram levados a São Paulo, de avião, onde ficaram presos na casa do deputado por mais 15 dias, quando conseguiram fugir.

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