Brasília, 27 (AE)- O ex-presidente do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) na Paraíba, Vicente Vanderlei, disse hoje, em seu depoimento na CPI do Judiciário, que as sessões daquele tribunal eram realizadas com a maioria dos juízes armados, inclusive ele. Vanderlei disse também que foi muito pressionado pela maioria dos juízes, quando foi conduzido à presidência do Tribunal. Segundo ele, houve tentativa de afastá-lo, antes mesmo de sua posse, porque os juízes desconfiavam que ele iria coibir as irregularidades que estavam sendo praticadas. Vanderlei disse que quando assumiu a presidência já havia uma comissão de sindicância. Mas assim que assumiu, ele criou uma segunda comissão. Segundo ele, a comissão era "mais completa e mais abrangente" formada por integrantes do Tribunal Superior do Trabalho, para dar prosseguimento às investigações sobre a suspeita de malversação de recursos públicos e apropriação indébita por parte de ex-juízes do TRT da Paraíba.
Boicote - Vicente Vanderlei disse que em 1996, no primeiro ano como presidente do Tribunal, sofreu inúmeras tentativas de boicotes pela maioria dos juízes. "A insatisfação dos juízes aumentou quando, para atender a lei antinepotismo, foi baixada portaria demitindo todos os funcionários com cargos comissionados que fossem parentes dos juízes até o terceiro grau. Sofri as piores reações", afirmou. Ele disse também que a princípio teve o apoio do TST, mas deixou de contar com o tribunal quando este baixou portaria determinando que só as futuras contratações deveriam enquadrar-se à lei.

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