As audiências marcadas em todas as seis varas trabalhistas de Londrina foram suspensas a partir de ontem, após dez dias de paralisação dos servidores da Justiça do Trabalho em Londrina. A portaria expedida pela juíza Dinaura Godinho Pimentel Gomes, diretora do Fórum Trabalhista e titular da 1 Vara, mantém a suspensão até o primeiro dia subsequente ao fim da greve, mas a própria juíza já acena com a possibilidade de retomar essas atividades antes do previsto.
A juíza conta que, na quarta-feira, quando os juízes se reuniram para deliberar sobre o assunto, estava afastada por assuntos familiares. Quando retornou, foi comunicada da decisão e posicionou-se de forma a resguardar os interesses da maioria. ''Mas esse não é o meu posicionamento. Desde o início eu fui a favor de se dar continuidade à realização de audiências'', esclarece. Ela afirma que está programando nova reunião para quarta-feira, quando a questão deve ser colocada em pauta para nova discussão.
Para o advogado trabalhista Geraldo Saviani, a decisão dos juízes de suspender as audiências não se justifica, já que eles poderiam contar com os funcionários de confiança para auxiliar no cumprimento dos referidos processuais. ''O juiz integra a nação como poder. Quando o juiz paralisa suas atividades, é o próprio Estado que está parando.''
O advogado acredita que a greve prejudica sobretudo o trabalhador que aguarda há anos a restituição de seus direitos e, já próximo de uma resposta, encontra a Justiça fechada. ''Todo trabalhador tem o direito de buscar melhores salários. Mas a paralisação da Justiça do Trabalho pára também a válvula de escape da pressão social. Com isso, o trabalhador fica à margem da Justiça, à margem da sociedade'', alega.
Segundo Carlos Vilhena, líder do movimento grevista na cidade, a greve não só deve continuar, como a previsão é de que a partir do dia 31 os servidores de outros tribunais de todo o país retomem a paralisação. ''A Federação Nacional dos Trabalhadores do Judiciário Federal (Fenajufe) havia recomendado a suspensão da paralisação e a manutenção do estado de greve por dez dias, mas nós não aderimos. Como o governo não apontou saída, a Federação decidiu então pela retomada da greve por unanimidade em uma reunião no domingo'', informou.
Estima-se que 6 mil processos trabalhistas em todo o Paraná estejam parados em decorrência do movimento paredista, que atinge também os Estados de São Paulo e Bahia.
Portarias expedidas pelos juízes trabalhistas em Cambé, Arapongas e Bandeirantes mantêm a realização das audiências nessas cidades. No Paraná, estão funcionando normalmente a 3, 7, 9, 17 e 20 varas de Curitiba, além das varas de Foz do Iguaçu, Araucária, Francisco Beltrão, Assis Chateaubriand, Castro e o Posto de Atendimento de Pitanga, da vara de Ivaiporã.
Hoje, os trabalhadores do INSS devem iniciar uma paralisação de três dias por melhores condições de trabalho, realização de concurso público, implantação do plano de cargos e carreira e contra a sobrejornada de trabalho, entre outros.

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