Porto Alegre, 28 (AE) - Os juízes do Trabalho do Rio Grande do Sul decidiram paralisar por dois dias (hoje e amanhã) as atividades, em protesto contra os "arranjos de cúpula" feitos para abortar a greve nacional dos magistrados.
Eles divulgaram hoje uma nota em que criticam esses arranjos. No documento, eles afirmam que o conteúdo da liminar prevendo o auxílio-moradia aos juízes "foi previamente negociado entre o julgador e os interessados, com intermediação do Executivo". Para eles, a medida "escancara um processo de conchavos palacianos que não pode ser chancelado por aqueles que clamam pela retomada da dignidade do Poder Judiciário".
O auxílio-moradia foi concedido por meio de liminar pelo ministro Nelson Jobim, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Os magistrados admitem que o auxílio contempla parcialmente a recomposição dos vencimentos, mas lembram, na nota, que os "arranjos de cúpula" serviram para evitar a fixação de teto para o funcionalismo federal. Eles pedem recuperação das perdas geradas pelo Plano Real, criticam a reforma do Judiciário em discussão no Congresso e a Lei da Mordaça, entre outros itens. A nota, assinada pela Associação dos Magistrados do Trabalho da quarta Região, foi redigida após assembléia da categoria. Ela pede ainda um salário mínimo "que supere a dívida social que nosso país tem com os trabalhadores".

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