Florianópolis, 29 (AE) - Como ré de uma ação trabalhista inicial, a secretária desempregada Simone Machado, de 40 anos, compareceu, às 14 horas em ponto, à 6.a Vara do Trabalho de Florianópolis. Perdeu tempo e teve de voltar para casa. Todas as audiências das varas de Trabalho da capital foram adiadas porque os juízes do trabalho de Santa Catarina decidiram ontem (28) entrar em greve por tempo indeterminado.
"Vim porque esperava que fosse ter a audiência", conta Simone. Para ela, a greve da magistratura mostra que, quanto mais dinheiro a "pessoa" ganha, menos ela entende de justiça. "Não consigo ligar essa profissão deles com a palavra justiça"
disse. "Fico comparando; a gente desempregada, sendo espremida todos os dias; com 10% do que eles ganham, eu trabalharia até 24 horas por dia", calcula Simone. O empresário Jairo Matos também não gostou de encontrar a Justiça paralisada. "Acho que eles já ganham bem demais; agora, nem imagino para quando será marcada minha audiência", reclamou.
A decisão dos magistrados catarinenses contraria orientação nacional da categoria, que suspendeu a paralisação no fim da tarde de domingo (27), após a concessão do auxílio-moradia de até R$ 3 mil pelo Supremo Tribunal Federal (STF). "Paramos porque, até agora, não houve o cumprimento de nenhuma das nossas reivindicações", diz a juíza Marta Villalba Fabre, presidente da Associação dos Magistrados Trabalhistas (Amatra) de Santa Catarina. "Nosso movimento é para chamar atenção da população para o não-cumprimento da Constituição e pela fixação de um teto salarial para o funcionalismo público", explica.
Em todo o Estado, são cerca de cem juízes trabalhistas distribuídos em 44 varas. Segundo dados da associação, mais de 95% deixaram de executar despachos, audiências e sentenças. Para evitar maiores prejuízos às partes e aos advogados, o presidente do Tribunal Regional do Trabalho (TRT), Antônio Carlos Chedid, emitiu hoje ato suspendendo o curso dos prazos de todas as ações e recursos que estão em andamento na Justiça Trabalhista em Santa Catarina.
Os 40 juízes federais também paralisaram as atividades ontem, mas decidiram suspender o movimento e voltar ao trabalho temporariamente até que se tenha uma decisão nacional.