Juízes defendem decisão de derrubar acusações em escândalo bancário venezuelano
Caracas, 08 (AE-AP) - Um dos juízes que causaram controvérsia ao derrubar acusações contra duas dúzias de bancos em um dos maiores escândalos bancários da América Latina defendeu-se ao vivo na televisão nesta quarta-feira (08), insistindo que a decisão foi perfeitamente legal e que os funcionários não têm o direito de revertê-la.
"Nossa decisão está perfeitamente de acordo com a lei" declarou, Arnoldo Echegaray à Globovision.
Echegaray e a juíza Carmen Elena Pennacio provocaram controvérsia na sexta-feira, ao derrubar as acusações contra executivos e empregados de nível intermediário de quatro bancos envolvidos em um escândalo em 1994, que quase derrubou todo o sistema financeiro.
O governo foi obrigado a intervir em 18 bancos e instituições financeiras - 40% de todo o sistema - e gastar US$ 10 bilhões em um resgate emergencial que levou a inflação a níveis recordes de alta e afundou a economia do país em uma longa recessão.
Cerca de 200 banqueiros fugiram deste país sul-americano e vivem atualmente no exterior como fugitivos. Até agora, apenas um foi extraditado para a Venezuela.
O escândalo fez com que milhares de correntistas perdessem dinheiro.
Elevando sua voz, Echegaray disse à Globovision que ele não era culpado pela libertação dos banqueiros. Segundo ele, sua decisão foi baseada em mudanças nas leis que davam ao então presidente Rafael Caldera poderes especiais para conduzir a crise. "Há uma montanha de leis ridículas", declarou.
A juíza Pennacio tentou revogar sua determinação, mas Echegaray disse ser impossível. "A decisão é inalterável."
A determinação da corte veio em meio a uma mudança drástica no sistema judiciário da Venezuela, considerado por muitos um dos mais corruptos do mundo.





