Juízes decidem revogar prisão de Ricardo Mansur
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quinta-feira, 26 de outubro de 2000
Agência Folha De São Paulo 
Ricardo Mansur, ex-dono do Mappin, da Mesbla e do Crefisul, que responde a processo pela falência da Barnet, a holding de seus negócios, teve sua prisão administrativa revogada ontem pelos juízes Paulo Alcides Amaral Salles, da 12ª Vara Cível, e Luiz Beethoven Giffoni Ferreira, da 18ª Vara Cível, de São Paulo.
Mansur foi intimado a entregar seu passaporte à Justiça em 48 horas e proibido de sair da cidade sem autorização judicial. Ele regressou ao País na terça-feira depois de passar 18 meses em Londres foragido da Justiça e prestou depoimentos ontem na 12ª Vara Cível sobre a falência da holding Barnet e na 18ª Vara Cível sobre a falência do Mappin.
O empresário, que comprou o Mappin em 1996 e a Mesbla em 1997, culpou o Bradesco pelo fracasso de seu projeto de construir a maior rede de lojas de departamento da América Latina.
Segundo Mansur, o Bradesco, ao desistir de colocar no mercado financeiro uma emissão de R$ 450 milhões em debêntures conversíveis, alegando perda de interesse no setor de varejo, provocou a derrocada financeira de seu grupo de empresas.
Sérgio Bermudes, advogado do Bradesco, qualificou o depoimento de Mansur de um repugnante e chocante descompromisso com a verdade.
Alfredo Bumachar, advogado de Mansur, disse que o empresário vai reunir os credores para liquidar seus compromissos dentro de seis meses. A intenção dele é essa porque não houve fraude na falência, disse.
Mas o síndico da massa falida das empresas de Mansur, José Carlos Vieira, acha difícil que o empresário consiga pagar todos os seus credores. A dívida total de Mansur está estimada em R$ 1,2 bilhão e seu patrimônio está avaliado entre R$ 30 milhões e R$ 40 milhões.
O presidente do Sindicato dos Comerciários de São Paulo, Ricardo Patah, disse que mais 650 ex-funcionários do Mappin receberão seus pagamentos (salários atrasados e indenizações) na semana que vem, no valor total de R$ 1,5 milhão.
Há dois meses, 3.401 ex-funcionários receberam pagamentos no valor total de R$ 6,5 milhões. Os recursos são da massa falida do Mappin.


