Juízes de Londrina têm dado autorização
Londrina - Ainda que a sentença do Supremo Tribunal Federal (STF) venha dar celeridade aos pedidos de aborto por anencefalia, o chefe da maternidade do Hospital Universitário (HU) Inácio Inoue diz que a decisão, em Londrina, não deve mudar muita coisa. ''Aqui já existe jurisprudência nesse assunto e os juízes têm autorizado, até mesmo rapidamente, interrupções nesses casos'', comenta.
Mesmo já tendo essa possibilidade, segundo ele, boa parte das gestantes as quais atendeu preferiu seguir com a gravidez até o fim. ''Ainda há uma forte influência religiosa. Por isso, escolhem por ter o bebê, mesmo sabendo que vai a óbito horas depois do nascimento. Aquelas que não querem já chegam aqui convictas de evitar o sofrimento'', diz ele, acrescentando que, a princípio, não há risco de complicações para a mulher grávida. A respeito da segurança do diagnóstico, o médico afirma que a medicina evoluiu e, praticamente, não há erros nos exames comprobatórios.
Cristiane Lopes Barrancos Liberatti, coordenadora do Comitê de Prevenção da Mortalidade Materno-Infantil de Londrina, diz que em todos os anos de trabalho do grupo presenciou pouquíssimas autorizações judiciais para interrupção da gravidez no município. ''Em dez anos, não deve ter passado de 3 autorizações. O número pequeno se deve principalmente por dois motivos: descoberta da anomalia em estágio avançado para inicar um processo judicial e esperança de que um milagre possa vir a acontecer'', resume.
De acordo com o presidente do Conselho Regional de Medicina (CRM) do Paraná, Alexandre Bley, é importante que destacar que a decisão do STF não obriga nem médico nem gestante a interromperem a gravidez. ''O Código de Ética resguarda o profissional a tal prática se esta não for de encontro à sua consciência. Ao mesmo tempo, a mulher, também, não vai ser obrigada a retirar o feto caso seja diagnosticada a anomalia'', diferencia.
O presidente diz que assim como o órgão, a maioria da plenária da entidade do Estado já havia se posicionado favoralmente sobre a autorização de interrupção do parto. ''Acreditamos que foi uma decisão acertada.'' Até que o CFM estabeleça o documento com as diretrizes para o procedimento, Bley aconselha que os médicos continuem com a mesma conduta tomada até hoje.(M.T.)





