São Paulo, 14 (AE) - Associações de juizes de 11 Estados realizaram hoje assembléias regionais e decidiram entrar em greve por tempo indeterminado, a partir do dia 28. A paralisação acontecerá, apesar de o presidente Fernando Henrique Cardoso ter reconhecido, sexta-feira (11), que é baixo o salário da categoria, para a qual defendeu o pagamento de um abono.
Na avaliação dos dirigentes das entidades, o discurso do presidente teve o objetivo de esvaziar o movimento, mas o efeito foi contrário: deu mais disposição aos juízes para propor a paralisação, de acordo com a vice-presidente da Associação dos Magistrados do Brasil (AMB), Beatriz Lima Pereira. Fora a AMB, participam das discussões a Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho e dos Juízes Federais do Brasil.
"Quem diz isso e joga a decisão para o Supremo Tribunal Federal (STF) não está querendo resolver nada", comentou Beatriz, referindo-se ao discurso do presidente, segundo o qual o pagamento do abono dependeria de decisão do STF. A decisão final sobre a paralisação será quinta (17) e sexta-feira (18), quando o colégio de magistrados de todos os Estados se reunirá, em Florianópolis. Quarta-feira (16), os juízes de São Paulo fazem assembléia para definir se vão aderir à paralisação, a exemplo do Rio, Pará, Rio Grande do Sul, Maranhão, Ceará, Mato Grosso do Sul, Pernambuco, Piauí, Amazonas, Paraná e Bahia.
A presidente da Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho, Lizete Bellido, também concorda que as declarações de Fernando Henrique reforçaram o ânimo dos juízes para a paralisação. Na mesma linha, raciocina o presidente da Associação dos Juízes Federais do Brasil, Fernando da Costa Tourinho Neto. Ele afirmou concordar com o abono, mas defende a greve.

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