Rio, 31 (AE) - O governo federal vai criar juizados especiais para a Justiça do Trabalho, a exemplo dos que existem na área cível. O projeto de lei começa a ser examinado pelo Congresso na quarta-feira. Estes juizados cuidarão de causas cujo valor não ultrapassa R$ 7 mil, que, segundo o ministro do Trabalho, Francisco Dornelles, representam 95% do total dos processos da Justiça do Trabalho.
"Não faz sentido essas causas trabalhista levarem quatro a cinco anos para serem julgadas", disse Dornelles. "O objetivo é que demore no máximo seis meses."
O anúncio foi feito hoje, na inauguração da Central de Apoio ao Trabalhador (CAT) do Rio, que funciona no prédio do Sindicato dos Alfaiates e Costureiras, em São Cristóvão, na zona norte do Rio, em parceria do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) e da Social Democracia Sindical.
A previsão é de que, a cada mês, 15 mil trabalhadores tenham seus currículos encaminhados às empresas, que também enviarão dados sobre suas necessidades. Segundo o ministro do Trabalho, a CAT de São Paulo, criada há um ano, tem recolocado de 50% a 60% dos trabalhadores que a procuram.
Estrangeiros - No discurso de inauguração da Central, que vai também dar cursos de qualificação profissional, o ministro falou ainda sobre a restrição à entrada de estrangeiros no mercado de trabalho brasileiro. "Queremos o capital de fora para criar emprego aqui, e não para ocupar nossos postos de trabalho", enfatizou Dornelles. "Não temos restrições a estrangeiros mas não deixaremos as empresas trazerem secretárias
economistas, ou torneiros mecânicos do exterior quando os daqui estão desempregados."
O ministro deixou claro que esta restrição não se dará por meio da criação de novas leis, mas do cumprimento estrito das já existentes. "Até aqui, a coisa estava correndo frouxa e precisamos apertar o gargalo", explicou o ministro.
Dornelles não comentou a demissão do coordenador-geral de Imigração da Secretaria de Relações do Trabalho do Ministério
Léo Cinelli, e seu subordinado, Luiz Carlos da Luz, na semana passada. "Foi apenas um ato administrativo." Cinelli era responsável pela concessão de visto de trabalho para estrangeiros e o acréscimo de 40% no número de permissões concedidas no ano passado teria sido a causa de sua demissão.

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