No seu primeiro dia como juíza, a titular da comarca de Santo Antônio das Missões (RS), Carla Cristina Ortinal Sírio e Santos, de 27 anos, suspendeu a execução de uma liminar de reintegração de posse e marcou uma reunião de conciliação entre proprietários e invasores. O fato ocorreu no final da tarde de anteontem, quando foi suspenso o despejo das 1.400 famílias que ocuparam a fazenda Capão do Leão, no município de Santo Antônio das Missões (a 533 quilômetros da capital) no dia 21 de julho.
Carla suspendeu uma liminar concedida na quarta-feira pelo juiz-substituto daquela cidade, Oyama de Assis Brasil de Moraes, e queimada no dia seguinte pelos sem-terra na frente do oficial de Justiça. A tática para a desocupação já estava pronta no comando de área de Santa Maria (a 287 quilômetros de Porto Alegre) e o coronel-PM Ubirajara Anchieta Rodrigues planejava executá-la na terça-feira, tempo necessário para o deslocamento de tropas. Atualmente apenas 30 homens da Brigada Militar mantêm o isolamento da fazenda.
A audiência de conciliação entre os advogados do proprietário da área ocupada e os advogados do MST ficou marcada para as 9 horas de quarta-feira. O juiz do Tribunal Regional Federal (TRF), Edgard Antônio Lipmann Júnior, negou o pedido dos proprietários da fazenda Jaguarão, de Hulha Negra (a 393 quilômetros de Porto Alegre), para que fossem retirados os 500 agricultores instalados na área desde terça-feira passada. A fazenda Jaguarão já havia sido desapropriada pelo Incra e a família está contestando o ato na Justiça. O TRF manteve a decisão anterior do juiz da Vara Federal de Bagé, Roberto Schaan Ferreira, deixando a área de posse das 35 famílias assentadas e dos outros 500 colonos que entraram na área.

mockup