Juíza solta policiais acusados de extorquir 'Beira-Mar'
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quarta-feira, 29 de março de 2000
Por Gustavo Alves, Roberta Jansen e Adriana Ferreira 
Rio, 30 (AE) - A juíza Cláudia Valéria Bastos Fernandes, da 3.ª Vara Federal Criminal, libertou ontem (29) à noite dois policiais acusados de extorquir o traficante Luiz Fernando da Costa, o "Fernandinho Beira-Mar".
Os policiais Carlos Coelho Macedo e Alexandre Campos Faria, que estavam presos por causa de uma outra extorsão, foram liberados por meio de um habeas-corpus. Os dois estavam convocados a depor na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico na Câmara dos Deputados. Os integrantes da CPI estranharam a atitude da juíza. Eles vão convocá-la a depor.
"Vamos pedir a quebra de seu sigilo bancário, fiscal e telefônico, caso não tenha uma boa justificativa para seu ato", disse hoje o relator da CPI, Moroni Torgan (PFL-CE). "A juíza sabia que eles viriam depor", afirmou a deputada Laura Carneiro (PFL-RJ), estranhando a libertação.
Os dois são acusados de participar, juntamente com Sérgio Roberto Gaponowics e Luiz Benício Brivati, de uma extorsão contra "Fernandinho Beira-Mar", em maio.
Nessa época, os quatro policiais estavam lotados na Divisão de Repressão a Entorpecentes (DRE) e foram enviados em missão para o Mato Grosso do Sul, na fronteira do Brasil com o Paraguai, na tentativa de localizar "Fernandinho Beira-Mar".
Um dossiê entregue à CPI indica que os policiais seguiram a namorada do traficante, Joelma de Oliveira, e um amigo dele, José Aílton do Nascimento. De acordo com a denúncia, que contém a transcrição de alguns telefonemas, eles teriam prendido os dois e exigido um resgate de R$ 40 mil para os liberar.
Em depoimento reservado na noite de ontem, Gaponowics e Brivati negaram ter extorquido "Fernandinho Beira-Mar". "Eles negaram à mineira, mas admitiram todo o resto, que estiveram em Ponta Porã em diligência e que detiveram Joelma", revelou hoje o deputado Antônio Carlos Biscaia (PT-RJ). "Como a fita do dossiê comprova a extorsão, para mim, está mais do que comprovado." O superintendente das delegacias especializadas na época era Carlos Góes, que esteve hoje no auditório da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), onde estavam sendo tomados os depoimentos da CPI.
"Soltamos a Joelma porque não havia nada contra ela; era apenas namorada de Beira-Mar", explicou Góes. "Nosso intuito era chegar no traficante por meio dela."
Em depoimento reservado hoje à CPI do Narcotráfico, o traficante Wilson Carlos Weirich detalhou todo o esquema de entrada de drogas e armas no País e como é feita a distribuição.
Segundo ele, a droga vinha da Colômbia, Bolívia e Paraguai e, a partir de Ponta Porã (MS), distribuída para todo o País. Weirich era dono de uma empresa transportadora usada por "Fernandinho Beira-Mar" e João Morel, acusado por ele de também ser traficante, para levar a droga a outros Estados.
"A cocaína e a maconha iam no fundo falso dos caminhões", explicou o deputado Padre Roque (PT-PR). Segundo os deputados, as testemunhas contaram ainda que o tráfico de armas também era feito da mesma forma.
"As armas vêm de Miami, de navio, e desembarcam nos Portos de Santos (SP) ou Paranaguá (PR)", contou o deputado Pompeo de Mattos (PDT-RS).
"Os containers seguem direto para o Paraguai, onde são abertos; as armas são vendidas para o Brasil e a Colômbia pela Polícia Nacional do Paraguai."


