Juíza se afasta processo de Eldorado dos Carajas
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quinta-feira, 09 de maio de 2002
Carlos Mendes <br>Especial para a AE 
Belém - A juíza Eva do Amaral Coelho decidiu ontem se afastar do processo no qual 149 policiais militares do Pará serão julgados, a partir do próximo dia 14, pela morte de 19 lavradores sem-terra em Eldorado dos Carajás, no sul do Estado, em abril de 1996.
No lugar de Eva, segundo determinação do Tribunal de Justiça do Pará, assumiu o juiz Roberto Moura.
Ele anunciou que o julgamento começa mesmo na terça-feira, quando sentarão no banco dos réus o coronel Mário Colares Pantoja, o major José Maria Oliveira, e o capitão Raimundo Lameira, que comandaram as tropas da Polícia Militar de Marabá e Parauapebas durante o conflito que resultou na morte dos sem-terra.
Ao justificar seu afastamento do caso, Eva do Amaral disse que sua decisão não foi influenciada pelos dois pedidos de suspeição contra ela levantados por advogados do Movimentos dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), que a acusaram de agir com parcialidade no processo. Preferiu afirmar que saía para preservar o TJ de enfrentar um novo pedido de adiamento do júri.
O MST considerou positiva a saída de Eva do processo, mas informou que ainda avalia sua intenção de não participar do julgamento.
O movimento acusou o Tribunal de estar querendo fazer um julgamento às pressas para tentar dar uma satisfação à sociedade sobre a impunidade dos acusados.


