Belém, 22 (AE) - A juíza Raimunda do Carmo Gomes, do Tribunal de Justiça do Pará, negou hoje o pedido de suspensão das sessões de julgamento dos acusados envolvidos na morte de 19 trabalhadores sem-terra em Eldorado dos Carajás, no sul do Pará, em abril de 96. "O objeto da causa está perdido, porque as sessões já estão suspensas", disse a juíza em seu despacho, indeferindo mandado de segurança impetrado pelo Ministério Público Estadual.
O promotor Marco Aurélio Nascimento, responsável pela acusação aos militares, não quis comentar a decisão da juíza. Ele disse que vai primeiro se reunir com o procurador-geral de Justiça, Geraldo Rocha.
Esta foi a segunda liminar indeferida pela juíza em menos de 10 dias. Anteriormente, ela já havia negado recurso da assistência da Promotoria, formada por advogados do MST e Fetagri, que pediam a retirada do quesito da insuficiência de provas dos próximos julgamentos.
Foi esse quesito que determinou a absolvição do coronel Mário Pantoja, do major José Maria Oliveira e do capitão Raimundo Lameira, comandantes da operação militar que resultou na morte dos sem terra.
A decisão tomada hoje por Raimunda Gomes abriu caminho para a retomada das 26 sessões de julgamento. Faltam ainda sentar no banco dos réus 147 tenentes, sargentos, cabos e soldados denunciados pelo Ministério Público.

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