Juíza reconsidera decisão de assédio moral contra irmãs
Curitiba - A juíza da 5 Vara do Trabalho de Curitiba apreciou o pedido de reconsideração da Casa dos Pobres São João Batista, em Curitiba, e do presidente da instituição, Rafael Kalluf Pussoli, sobre a liminar favorável concedida ao Ministério Público do Trabalho (MPT) e ao Ministério Público do Estado do Paraná. O MP denunciou os réus por assédio moral contra irmãs de caridade. A liminar determinava que fosse restituída, até hoje, a função administrativa às irmãs da congregação Filhas de Caridade de São Vicente de Paulo que atuam na entidade filantrópica, desde a sua fundação, em 1959.
As irmãs estariam afastadas do cargo há três anos, após uma alteração estatutária unilateral feita sem observar os requisitos formais. A juíza prorrogou o prazo para 30 dias e pediu que o MP se manifestasse dentro de cinco dias, após apresentação de novos documentos e argumentos pela defesa, segundo a advogada dos réus, Nayra Gasparim. Os órgãos entraram com uma ação civil pública contra a Casa dos Pobres e Pussoli, no segundo semestre de 2007, depois que investigaram denúncias de assédio moral contra dez irmãs que vêm sofrendo esvaziamento das suas funções, são impedidas de acessar dependências da entidade, tiveram armários arrombados e acesso telefônico bloqueado.
''Não queremos polemizar o conflito. Mostramos provas testemunhal, documental, técnica e pericial da situação. O presidente cortou todo poder de gestão da igreja. São dez irmãs, entre 40 e 80 anos, das quais cinco contratadas e cinco voluntárias, que foram afastadas de suas atividades de forma ostensiva, são vigiadas e sofrem depressão e estresse. Uma perícia médica e uma assistente social constataram que há um clima de tensão e conflito entre os trabalhadores, afetando a qualidade de atendimento ao usuário. Pedimos que as irmãs voltem a administrar a Casa dos Pobres em conjunto com a diretoria'', resume o procurador regional do trabalho, Ricardo Tadeu Marques da Fonseca.
Uma das irmãs, que preferiu não se identificar, confirmou à FOLHA que tudo o que foi averiguado pelo MP é verdade e que elas permanecem afastadas da administração. Segundo Pussoli, a Casa dos Pobres nunca teve interesse em retirar as irmãs de suas funções, nem exerceu qualquer conduta de assédio moral contra as mesmas. ''O que houve foi uma atualização, fazendo parceria com outras empresas para melhorar os serviços dentro do albergue'', disse.
''Nos causou estranheza que o MP não tenha nos ouvido no procedimento investigatório. Elas nunca foram afastadas. Existe uma dificuldade com uma delas apenas, porque não prestou contas de recursos da entidade, adquiridos com a panificadora e o brechó de roupas, no ano de 2006, no valor de R$ 28.772,00'', disse Pussoli, presidente há 15 anos da Casa dos Pobres.





