Juíza proíbe livro grego condenado pela Igreja Ortodoxa9/Mar, 13:53 Atenas, Grécia, 9 (AE-AP) - Uma decisão judicial proibiu hoje um livro que havia sido condenado pela Igreja Ortodoxa por causa de passagens sobre possíveis desejos sexuais de Jesus Cristo, naquele que foi considerado como um dos primeiros casos de censura em quase 25 anos. A juíza Maria Robbi, presidindo a corte na cidade de Thessaloniki, norte do país, disse que impediu as vendas do livro para evitar "explosões de violência" depois que extremistas religiosos ameaçaram tomar medidas contra o autor e as lojas que vendiam o livro. Segundo ela, a proibição, que vigora em cerca de um quarto do país, estende-se até o dia 16 de maio, quando ocorre uma audiência sobre a ação para impedir a venda do best-seller "M to the Power of N" (M para o poder de N), do ex-parlamentar comunista Mimis Androulakis. O livro é uma séria de diálogos ficcionais entre mulheres cujos nomes começam com a letra M. O tema central é misoginia em vários aspectos da vida, incluindo o religioso. Um capítulo menciona uma hipótese bastante explorada: um possível elemento sexual na relação entre Jesus Cristo e Maria Madalena, uma prostituta que virou seguidora de Jesus. "A corte decidiu que o livro é blasfematório. Atenção, blasfemos", disse Christos Alvanos, o advogado da ação, depois da decisão da corte. A proibição vale apenas nas províncias próximas da cidade onde a corte da juíza tem jurisdição. O livro estará disponível em outro lugares da Grécia. "Nós condenamos a decisão. No dia em que a Grécia apresentou seu apelo para inclusão na União Monetária Européia, um lado obscuro da lua grega é revelado", disse Androulakis. A proibição de Robbi foi divulgada enquanto o premiê Costas Simitis presidia uma cerimônia especial da entrega do pedido formal para a inclusão no União Monetária Européia. A decisão da juíza pode causar problemas entre o governo socialista, que expressou abertamente apoio a Androulakis, e o judiciário.

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