Juíza ouve testemunhas de suposto abuso sexual
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quinta-feira, 12 de janeiro de 2012
Danilo Marconi <br> <br> Reportagem Local 
Londrina - A juíza da 6 Vara Criminal de Londrina, Zilda Romero, realizou ontem a primeira audiência de instrução do suposto abuso cometido contra duas crianças pelo padre Marco Túlio Simonini. O episódio aconteceu novembro do ano passado num clube da Zona Sul. O sacerdote teria sido flagrado abusando de duas crianças na piscina do Thermas de Londrina. Simonini foi indiciado por estupro de vulnerável e, desde então, segue preso provisoriamente na Penitenciária Estadual de Londrina (PEL). Ele teve o exercício ministerial suspenso pela Igreja.
Das 20 testemunhas inscritas, quatro faltaram à audiência, inclusive os dois seguranças que teriam flagrado o ato do padre no Thermas. ''O padre saiu da piscina ereto. Ele deu uma volta, disfarçou e voltou a brincar com as meninas na água'', afirmou a ex-funcionária do clube, Ilda da Silva Santos, uma das 13 testemunhas de acusação. ''Quando cheguei, ele tinha escoriações pelo rosto e estava sangrando. Uma das crianças chorava muito'', explicou o soldado do 5º Batalhão, José Luiz Pietrzk.
Ambas as vítimas acompanharam a audiência. Uma das meninas deixou a sala chorando e aparentava estar bastante emocionada. A criança de 7 anos faz tratamento psicológico desde o crime. ''Está difícil para ela'', limitou-se a dizer a mãe, que pediu para não ser identificada.
Já a outra criança deixou a sala aparentando tranquilidade e até brincou com a imprensa no Fórum. A mãe revelou que a menina não entra na piscina desde então. ''Da minha família, nem ela e nem as outras crianças entram mais na piscina. Eu voltei lá (local do crime) e não consegui colocar o pé na água'', disse ela.
Apenas uma das sete testemunhas de defesa falou com a imprensa. ''Ele não fez nada demais, apenas empurrava a bundinha delas'', afirmou a dona de casa, Sueli Peres da Silva.
O arcebispo emérito de Londrina, dom Albano Cavallin, também foi ouvido ontem.
A audiência durou cerca de quatro horas. A imprensa foi proibida de fazer imagens dentro do Fórum. Simonini deixou o prédio escoltado por policiais e pela saída de emergência. ''Não gostaria de falar nada'', disse correndo.
A próxima audiência do caso está marcada para terça-feira. Quatro testemunhas estão arroladas. Zilda Romero também deve ouvir o acusado. O advogado de defesa, Walter Bittar, disse que só vai se pronunciar sobre o caso depois que for retirado o sigilo judicial.


