Juíza manda prender fazendeiros no PA
Decisão atinge cinco dos nove acusados da morte de dois sem-terra, que ainda não se apresentaram à polícia
Agência Folha
A Justiça do Pará decretou ontem a prisão preventiva de cinco dos nove fazendeiros acusados de envolvimento na morte de dois líderes sem-terra em Parauapebas, sul do Pará, em 26 de março. De acordo com a decisão da juíza Maria Vitória Torres do Carmo, as prisões dos fazendeiros José Marques Ferreira, Antonio de Oliveira Barcelos, Antenor Marques Pinto, Luciano Sartório e Rafael Saldanha de Camargo foram decretadas porque eles não se apresentaram à polícia ou à Justiça durante as investigações.
Segundo o parecer, há ‘‘constatação irrefutável de que a fuga dos acusados traria inegáveis prejuízos à instrução e à aplicação da lei’’. Os outros quatro fazendeiros denunciados pelo Ministério Público devem responder o processo em liberdade já que se apresentaram à polícia ou à Justiça, por meio de seus advogados.
O proprietário da fazenda, Carlos Antonio da Costa, esteve preso por 21 dias na delegacia de Marabá, onde prestou depoimento, e foi solto após um habeas corpus.
Os proprietários rurais Geraldo Teotônio Jota, Márcio Dolewczynski Araújo e Lázaro de Deus Vieira apresentaram, por meio de seus advogados, pedidos de revogação de suas prisões. A juíza designou os dias 18 e 19 de maio para os interrogatórios dos fazendeiros.
O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) criticou a decisão da juíza, considerando que todos deveriam ser presos. ‘‘Isto é uma falta de respeito, mostra que a Justiça continua conivente com atitudes assassinas’’, afirmou o coordenador estadual Nonato Souza. No dia 26 de abril, os líderes Onalício Araújo Barros, o ‘‘Fusquinha’’, e Valentin Serra, o ‘‘Doutor’’, foram mortos a tiros após a retirada de famílias sem-terra da fazenda Goiás 2.
Além dos nove fazendeiros, foram denunciados pelo promotor Godofredo Santos 11 policiais militares que acompanharam dois oficiais de justiça na reintegração de posse sem autorização superior. Os PMs e oficiais são acusados de omissão. A juíza decidiu separar o processo deles para tentar agilizar as investigações.
A perícia técnica da Polícia Civil do Pará terminou a avaliação de balística das armas apreendidas durante as investigações e concluiu que nenhuma delas foi usada. Cinco delas eram dos policiais e uma, do fazendeiro Carlos Antonio da Costa. Todas eram registradas nos órgãos competentes. Para o delegado Lauriston Goes, a conclusão não elimina a possibilidade de participação dos mesmos no assassinato.

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